Rio, 21 (AE) - A Praça 11 e a Feira de São Cristóvão vão ter suas histórias contadas em dois livros da coleção Cantos do Rio, parceria da Prefeitura com a editora Relume Dumará. Os autores são especialistas, mas escolheram caminhos diferentes falar sobre os dois pontos de referência da vida carioca desde o tempo do Império. Afinal, era na Praça 11 que escravos e ex-escravos se reuniam para criar as escolas de samba. Já a Feira de São Cristóvão existe desde o tempo de D. Pedro II e, até hoje, é o ponto de encontro dos nordestinos que migraram para o Rio.
Ao escrever sobre a Praça 11, o jornalista Roberto Moura
nascido e criado lá até os 20 anos, preferiu recorrer à memória
em vez de documentar a história do antigo bairro de classe média baixa, derrubado para a construção do Metrô, nos anos 70, e da nova sede da Prefeitura e do Teleporto, já nesta década. "Eu falo de algo que não existe mais e que, na minha lembrança, ocupa uma área muito maior do que no mapa da cidade", explica ele. "Fiz um livro sobre alguém que não tem como voltar para casa porque esta não existe mais".
Mas as histórias da Praça 11 estão lá, embora muito mais do ponto de vista pessoal do que com enfoque jornalístico. Ao contrário do livro sobre a Feira de São Cristóvão, do escritor cearense Gilmar Chaves. Ele migrou para o Rio em 1991, mas conhecia a feira desde o início dos anos 80, quando passava férias aqui. Para escrever o livro, Chaves frequentou o lugar durante três meses, conversou com vendedores e fregueses que vão lá há 54 anos, desde quando a feira foi oficializada como ponto de encontro de nordestinos, que se reúnem todo sábado, numa festa que vai até o início da tarde de domingo.
"Hoje você encontra mais o Nordeste na feira que se viajar para lá", avisa Gilmar que, não contente em contar a história do lugar, indica os produtos encontrados no local, quem são seus personagens principais e ensina o mapa da mina, com o roteiro dos ônibus que levam a São Cristóvão. "Cheguei a dormir lá para saber como vivem as pessoas que trabalham ou se divertem na feira". Os livros chegam às bancas na próxima semana, ao preço de R$ 10,00.

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