São Paulo, 22 (AE) - A Caixa Econômica Federal, a Companhia Brasileira de Securitização (Cibrasec) e o Banco Itaú assinaram hoje o maior contrato de securitização de recebíveis imobiliários no Brasil. Esse é um processo pelo qual uma empresa ou instituição financeira transfere um crédito ou dívida à outra por meio da emissão de títulos.
A negociação, no valor de R$ 100 milhões, envolveu a transformação de 1.685 contratos de financiamento de imóveis firmados pela Caixa com os seus mutuários pelo sistema da carteira hipotecária em títulos de investimento, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). Esses títulos foram adquiridos pelo Banco Itaú.
Responsável pela estruturação e coordenação da operação, a Cibrasec analisou e selecionou os créditos imobiliários da Caixa em 167 municípios brasileiros. A maioria é proveniente de financiamentos de unidades com dois e três dormitórios. Os contratos têm prazo médio entre 12 anos e 15 anos, estão em fase de maturidade - sete anos e oito meses - e apresentam baixa inadimplência.
Para reduzir o risco do investimento, destinado a bancos
fundos de pensão e seguradoras, a Cibrasec contratou a seguradora Sasse Caixa Seguros, vinculada à Caixa, para garantir a liquidez frente a uma eventual inadimplência ou cobrindo parte do prejuízo no caso de execução do imóvel com venda abaixo de valor de mercado.
PLANOS - O presidente da Caixa Econômica Federal, Emílio Carazzai, disse que uma das principais vantagens para o banco foi receber o montante à vista e poder destiná-lo para novos financiamentos de habitação. "A Caixa tem grande volume de créditos para a venda e está sobreaplicada."
Segundo ele, a Caixa detém 77% do estoque de crédito imobiliário do País, aplicando muito mais do que os 60% do saldo de cadernetas de poupança exigidos pelo Banco Central. "Contamos com R$ 28 bilhões depositados nesse tipo de aplicação
mas investimos com recursos próprios R$ 59 bilhões no setor imobiliário."
Os CRIs foram vendidos para o Banco Itaú. Pela compra de 250 certificados, por R$ 400 mil cada, o Itaú vai receber pagamentos mensais durante 11 anos, com prazo médio de 49 meses e rentabilidade de 12,30% (taxa de juros), mais TR. Segundo o vice-presidente executivo do banco, Milton Luís Ubach Monteiro, o negócio vai proporcionar um spread (prêmio em relação ao ativo base) em torno de 4% . "Vemos o crédito imobiliário como um excelente negócio a longo prazo", afirmou Monteiro. Segundo ele
a instituição financeira dispõe de R$ 9,5 bilhões em sua carteira de crédito imobiliário, mas está interessada em ampliar os ativos e consequentemente suas linhas de financiamento e empréstimos.
O gerente de Operações Ativas da Cibrasec, Roberto Zanré
explica que a principal vantagem para investidores em operações de securitização é adquirir um investimento sem despesas com análises de riscos da operação de crédito, que é realizada pela Cibrasec; negociável a qualquer momento e assegurado por muitos dispositivos de segurança, com garantia de um bem imóvel e seguro contra riscos de créditos, além dos exigidos pela Caixa a seus mutuários, de morte, invalidez e danos físicos ao imóvel.

mockup