São Paulo, 22 (AE) - Vista com uma certa desconfiança por alguns segmentos transformadores de plásticos, a causa da falta de resinas termoplásticas está sendo explicada de várias formas pelas indústrias petroquímicas: paradas imprevistas para a manutenção e a quebra de peças imprescindíveis para sua a produção são algumas delas. "Nossas instalações estão abertas para quem quiser ver. Não estamos usando isso como desculpa para reduzir as vendas internas", disse o diretor da área Industrial da Petroquímica Triunfo, Luiz Briones.
Há cerca de 13 dias, a Triunfo informou ao mercado que uma de suas unidades, com capacidade instalada de 80 mil t/ano, ficaria parada de dois a três meses. A Petroquímica Triunfo, do Pólo Petroquímico de Triunfo, possui capacidade instalada para produzir 160 mil t/ano de polietileno de baixa densidade em dois reatores - cada um, para 80 mil t/ano. A tecnologia para introduzir o eteno nos reatores é de alta pressão - vai de 40 libras a 2.500 libras, passando por vários estágios. Segundo Briones, na fase de 200 libras para 280 libras, o cilindro de pré-compressão trincou. "Ninguém se feriu, mas a unidade parou."
Uma nova peça foi encomendada e deverá ser entregue no prazo de 35 dias - a contar da data de encomenda são 50 dias. Enquanto isso, os técnicos da Triunfo tentam reparar a parte danificada do compressor. "Estamos privilegiando o mercado interno. Nossas exportações foram reduzidas para menos da metade do volume normal, até o limite em que não sejamos multados por quebra de contrato", afirmou Briones.
Já o diretor comercial da Polibrasil, José Ricardo Roriz Coelho, disse que a indústria chegou a reduzir suas exportações de 60 mil t/ano (média dos últimos 4 anos) para 52 mil t/ano, para não criar déficit de fornecimento no mercado interno. Segundo Coelho, a maior unidade da Polibrasil, com capacidade para 200 mil t/ano de polipropileno (PP), teve a caixa redutora quebrada, em 22 de outubro, e só voltou a funcionar em 15 de novembro.
As outras fábricas da Polibrasil, em Capuava (SP) e em Camaçari (BA), com capacidade instalada para 125 mil t/ano, cada uma, garantiram o fornecimento no período. De acordo com Coelho, as indústrias brasileiras de segunda geração têm excedentes das duas resinas reclamadas pelos transformadores. A falta, insiste o mercado que depende das resinas, deve-se ao alto preço pago lá fora, inclusive pela Argentina. Some-se a isso a entrada da Europa como forte compradora - antes, adquiria dos Estados Unidos, mas o superaquecimento da economia provocou a redução das exportações. E, ainda, a ásia, que é e vai continuar o maior comprador de resinas do mundo.
A China, que abre as suas portas para o vaivém de mercadorias, no ano passado importou, oficialmente, apenas 20 mil toneladas de resinas do Brasil, no valor de US$ 15 milhões. "Este ano, não sabemos quanto está sendo importado, nem temos estimativas para o próximo ano", admitiu o cônsul econômico e comercial da China, Wang Qingyuan.

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