Brasília, 22 (AE) - O governo não descarta o risco de o comércio aproveitar o final de ano mais gordo, com o pagamento do décimo-terceiro salário, para elevar preços. "É uma possibilidade que estamos monitorando", disse hoje o secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Fernando Montero. "Mas, não detectamos nada em termos de aumentos generalizados até agora." Segundo o secretário-adjunto, até o momento os brasileiros estiveram enfrentando uma inflação motivada por problema na oferta dos produtos - que, por isso, subiram de preço. É o caso, por exemplo, da carne e outros produtos agropecuários. Houve ainda aumentos localizados, ocorridos por motivos específicos, como o fim do subsídio governamental ao álcool hidratado e o fim do acordo entre governo e montadoras para reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos carros.
Se a remarcação generalizada de final de ano ocorrer, haverá o que os especialistas chamam de inflação de demanda, ou seja, aquela motivada pelo consumo aquecido. "Sabemos que há um ambiente de demanda forte neste final de ano", admitiu o secretário-adjunto. "Mas ela ainda não apareceu nos preços, e não sabemos se aparecerá." Montero acredita que as remarcações de fim de ano, se acontecerem, não provocarão uma puxada muito forte na inflação. "Não há evidências de aumentos que levem os índices de preços ao consumidor a darem um salto", assegurou o secretário-adjunto. "Alguns produtos sempre sobem com as festas
mas aparentemente não há um movimento geral de elevação de preços."
Além disso, o governo conta, na virada do ano, com o fim de diversos fatores que atualmente alimentam a inflação. "O aumento do carro não vai acontecer de novo, o do álcool já está se enfraquecendo, o preço da carne bovina já está caindo", enumerou Montero. É esperado, também, o início da safra agrícola
que deverá reduzir o preço dos produtos agropecuários. Finalmente, os economistas do governo esperam uma queda mais consistente na cotação do dólar no início do ano, o que deverá eliminar pressões sobre os preços, principalmente no atacado. Por todas essas razões, Montero avalia que qualquer nova pressão inflacionária neste final de ano terá fôlego curto.

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