Brasília, 22 (AE) - Todo o processo de liquidação extrajudicial do Bamerindus está sob investigação do próprio Banco Central. A informação, que foi divulgada no final de semana pela revista "Isto É Dinheiro", foi confirmada hoje pela assessoria de imprensa da instituição. A decisão do BC de fazer a investigação foi tomada a partir do recebimento de uma carta anônima denunciando irregularidades no processo de liquidação conduzido por Gilberto Loscilha, um procurador aposentado do Banco Central.
Segundo fontes do BC, o autor da carta mandou três cópias ao governo: uma ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, e as outras duas para o presidente do BC, Armínio Fraga, e para um assessor da diretoria de Fiscalização. Em todas elas havia a ameaça de que, não havendo uma providência por parte do BC, as denúncias seriam enviadas à imprensa e a congressistas. "A carta é uma piada", disse uma fonte. Segundo ela, sempre recorrendo a apelidos, o autor fez várias denúncias. Tanto de irregularidades financeiras no processo, quanto de assédio sexual envolvendo os responsáveis pela liquidação.
Até agora, segundo informações da assessoria, nada foi constatado. O liquidante foi indicado pelo diretor de Fiscalização do BC, Luiz Carlos Alvarez, que, por sua vez, foi o primeiro a assumir o processo de liquidação do Bamerindus. Assessores do Banco Central garantiram que, até que toda a investigação seja concluída, Alvarez não vai comentar o problema. Em princípio o diretor não queria considerar as denúncias. Decidiu, no entanto, abrir a investigação depois que a carta chegou aos órgãos de imprensa.
A carta anônima, segundo fontes do BC, é um ultraje. Nela os responsáveis pela liquidação extrajudicial do Bamerindus são destratados. Por incrível que pareça a carta chegou a merecer resposta da delegacia regional do BC em Curitiba. Isso porque ela tinha nome e endereço do remetente. O nome, descobriu-se depois, era uma montagem dos sobrenomes de três advogados do HSBC Bamerindus. E o endereço era da própria sede do HSBC no Brasil.

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