águas Mornas, SC, 22 (AE) - A crise provocada pelo governo de Minas Gerais (MG) ao retirar o poder de veto dos sócios estrangeiros (AES e Southern Energy) da Cemig casou um problema "seríssimo" para as futuras privatizações do setor elétrico brasileiro. A partir de agora, o Brasil receberá recursos em menor quantidade e investidores "de pior qualidade", disse hoje o diretor do Deutsche Bank no Brasil, Gregório Stuckart. Segundo Stuckart, os investidores estrangeiros não aceitarão participar de leilões em que não possam comprar pelo menos 51% do controle das estatais.
Na opinião do executivo, um modelo de privatização parcial com a participação minoritária de investidores estrangeiros é "quase impossível" depois da crise em MG. "A Cemig destruiu esse tipo de modelo porque não cumpriu o acordo de acionistas." A análise do diretor do Deutsche contraria a idéia do governo de Santa Catarina (SC), que deseja desenvolver um modelo tripartite para a venda da Celesc com a participação do Estado, ao lado da iniciativa privada e dos funcionários.
Apesar das críticas, Stuckart considera a Celesc, depois da Copel, a estatal mais atraente do setor elétrico brasileiro para a privatização com base no potencial de expansão do mercado em que atua (1,64 milhão de consumidores) e pela qualidade dos ativos. "Não vejo outras melhores do que elas."
Segundo o diretor, o Estado deve afastar-se do controle da Celesc. A medida eliminaria restrições de acesso ao crédito, por parte do BNDES e de bancos internacionais, enfrentadas de modo geral por todas as estatais. A manutenção do governo como acionista principal preservaria ainda, conforme ele, as amarras provocadas pela lei 8.666 (que regula as concorrência do setor público), a ingerência política, a instabilidade administrativa e o excesso de gastos com o pessoal.

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