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segunda-feira, 22 de novembro de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 22 (AE) - O volume de exportações de motocicletas aumentou 60% de janeiro a outubro deste ano, quando foram embarcadas para o exterior 35 mil unidades. A indústria de veículos de duas rodas aproveitou a desvalorização do real para vender mais no exterior. O mercado interno, também em expansão, está atraindo novas marcas, que chegam para construir fábricas. A coreana Daelim vai instalar uma fábrica em Manaus para explorar o mercado de baixa cilindrada, no qual a Honda há anos mantém a liderança quase absoluta.
Como as motocicletas têm menor quantidade de peças importadas do que os carros, a desvalorização do câmbio não provocou pressão de custos. Ao contrário, trouxe a perspectiva de conquista de novos mercados. A Honda vai exportar, este ano, 30 mil unidades, mais do que o dobro do ano passado. A motocicleta da Honda fabricada no Brasil ficou tão barata que ganhou mercado, inclusive próximo ao Japão, como Austrália.
Foi também a desvalorização do câmbio que levou algumas empresas a trocar a importação por produção local. Caso da coreana Daelim. O representante da empresa no Brasil, Hudson Armênio Lopes, está concluindo a negociação com os coreanos. Num investimento de US$ 3 milhões, a fábrica que será construída em Manaus no início de 2000 terá capital totalmente nacional. Os coreanos entrarão somente com a tecnologia.
A Daelim vai fabricar no Brasil o modelo Altino, uma moto de baixa cilindrada, de 100cc, para concorrer no mercado que hoje é quase totalmente ocupado pela CG125 da Honda. A Altino custa hoje R$ 3 mil. Segundo Lopes, a fábrica terá capacidade para 12 mil unidades. A Daelim também lançou hoje o seu consórcio nacional. As cotas serão administradas pela Transamérica, uma administradora de consórcios. A moto mais barata Daelim pode ser comprada no consórcio por R$ 70,00 por mês.
A Yamaha também decidiu explorar o segmento de baixa cilindrada e anunciou hoje investimento de US$ 1 milhão no lançamento da YBR-125, a primeira moto da marca na categoria que vai concorrer a CG-125 da Honda. Essa moto começará a ser produzida em março e será vendida a preços semelhantes aos da concorrente - R$ 3.795 na versão de partida elétrica.
Harley - A Harley Davidson avalia que o mercado brasileiro de motocicletas de luxo está em plena expansão. A sua primeira fábrica fora dos Estados Unidos, instalada em Manaus desde setembro, já produziu 60 unidades. A empresa deve vender este ano 300 motos, incluindo as importadas. Mas, segundo o diretor da Harley no Brasil, Paulo Izzo Neto, esse mercado pode chegar a mil unidades em breve.
A Harley, que hoje produz no Brasil motos que custam em torno de R$ 25 mil, acredita que até 2003 o potencial brasileiro nesse segmento chegará a 8 mil unidades. A empresa baixou os preços em 30% para adequar seus produtos à desvalorização cambial, aproveitando também os incentivos da Zona Franca de Manaus.
A fábrica de Manaus produz hoje a Fat Boy e a Heritage. Mas há planos para ampliar a linha. A fábrica foi construída com capital americano. Mas acordo com o Grupo Izzo prevê a troca de ações assim que a rede de concessionários estiver ampliada. Segundo Izzo Neto, assim que o grupo brasileiro concluir o trabalho de ampliação de seis para 20 revendas, passará à Harley 10% das ações dos concessionários e receberá 20% das ações da fábrica Leasing A BMW começou a vender suas motocicletas por meio de leasing há dois meses e hoje o leasing já representa um terço das vendas da empresa. As financeiras normalmente se recusavam a fazer planos com motocicletas. Por isso, a BMW criou leasing próprio.
"Os bancos normalmente não entendem que o nosso público é formado por executivos de 40 anos ou mais, que tem mais de um veículo e usam a moto como instrumento de passeio", disse a gerente de marketing financeiro da BMW, Agner Côrrea. A BMW vai vender este ano 250 motos no Brasil. No ano passado foram 400. O diretor da divisão, Wolfgang Hoffman, disse que o cliente se retraiu em razão da instabilidade na economia geral do País. Mas deve voltar ao mercado.
Salão - A moto mais luxuosa do mundo está exposta no "Salão das Duas Rodas", no pavilhão de exposições do Anhembi, aberto hoje em São Paulo. O modelo K1200LT, da alemã BMW, custa US$ 35 mil. A feira é aberta ao público. Os organizadores esperam 350 mil visitantes até o próximo dia 28. Na última edição, há dois anos, o público chegou a 250 mil pessoas.
Na sua quinta edição, a feira apresenta os lançamentos de empresas tradicionais, como a Honda, Yamaha e Agrale e também as marcas que começaram a explorar o mercado brasileiro como a Kasinski, a empresa do ex-presidente da Cofap, a Suzuki, a italiana Aprilia e as scooters da Peugeot. O mercado de motocicletas poderá crescer entre 10% e 15% no próximo ano, segundo os fabricantes, chegando ao recorde de mais de 500 mil unidades.


