São Paulo, 22 (AE) - O grupo Belgodi, holding da Lojas Marisa, está investindo R$ 22 milhões numa nova rede de lojas, a Marisa & Família. Esse formato de negócio inclui os segmentos de roupas masculinas, infantis e cama, mesa e banho, além das confecções femininas já vendidas na cinquentenária Lojas Marisa. O público alvo é também a camada de renda menor.
Esse novo nicho de mercado deve representar 14% dos volumes vendidos pelo grupo, que vão somar neste ano 45 milhões de peças, ante 43 milhões registrados em 1998. O formato de loja deve proporcionar expansão significativa na projeção de faturamento que não foi revelada, uma vez que o tíquete médio da nova rede é 50% maior que o obtido na Lojas Marisa, especializada em roupas femininas, destaca o presidente do grupo
Márcio Goldfarb.
Os recursos estão sendo destinados para sete novas lojas
que serão inauguradas até o início do mês que vem e para as quais foram contratados 348 funcionários. Três dos novos estabelecimentos irão funcionar em imóveis próprios do grupo. Até a metade do ano, esses imóveis abrigavam unidades da Lojas Brasileiras, que encerrou as atividades. Na quinta-feira, começarão a funcionar as lojas dos shoppings Aricanduva e Continental, ambos em São Paulo, e a unidade de Curitiba (PR). No dia 2 dezembro, serão inauguradas as unidades de Santos (SP), Taguatinga (DF) e, no dia 9, as lojas do Rio de Janeiro (RJ) e de Goiânia (GO).
"Não se trata de um teste", diz Goldfarb. Ele explica que a nova empresa foi fruto de inúmeras pesquisas feitas pelo grupo para descobrir o que o consumidor deseja. Há um ano e meio
foram ouvidos 5,4 mil consumidores e detectou-se que eles gostariam de encontrar confecções infantis, masculinas e para o lar, além das femininas num mesmo local.
Conversão - Goldfarb nega a intenção do grupo de converter a Lojas Marisa para Marisa & Família. Ele explica que as duas redes seguirão de forma independente, apesar de as compras das confecções femininas ficarem centralizadas na Marisa. Com o nova rede, o número de fornecedores do grupo passará de 466 para 616. As confecções infantis, masculinas e para o lar vão acrescentar 966 novos itens aos 854 vendidos pelo grupo.
O presidente do grupo diz ainda não saber dizer quantas lojas da nova rede serão abertas no ano que vem e vincula seus planos ao desempenho das sete primeiras unidades, mas adianta que está planejando um cartão de crédito próprio. Já na rede Marisa serão gastos R$ 11 milhões em oito novas lojas em 2000. Hoje são 144 lojas, das quais duas foram mudadas para um novo padrão.
Goldfarb nega que a entrada de concorrentes de peso nas confecções, como o grupo norte-americano J.C. Penney, que comprou a Lojas Renner, tenha desencadeado mudanças no layout da Lojas Marisa e abertura de uma nova rede, que inclui outros artigos.
Para o consultor da Mixxer Desenvolvimento Empresarial, Eugênio Foganholo, no entanto, as vantagens competitivas oferecidas pelas grandes redes como C&A, Renner, Riachuelo, com mix variado de produtos e grandes lojas, estão provocando mudanças no varejo de confecção. "O varejo de confecção avançou e a Marisa tinha ficado como há 20 anos", ressalta o consultor. Na sua opinião, a tendência é de a empresa converter todas as suas lojas com a bandeira Marisa para esse novo modelo, com mix mais completo, apesar de Goldfarb negar esse plano. Para Foganholo, a decisão do grupo Begoldi é tentar equiparar a Marisa às três grandes redes.

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