Rio, 22 (AE) - A queda-de-braço entre a Petrobras e a fornecedora de equipamentos Marítima terá mais uma etapa dentro de três semanas, quando vence a prorrogação do prazo para a entrega da sonda de perfuração Amethist 4, que deveria ter sido concluída em junho. A Petrobrás mantém a decisão de rescindir o contrato caso o equipamento não seja entregue no dia 17 de dezembro, como prevê o acordo, e já expediu cartas-consulta para recorrer a outros fornecedores.
A direção da Marítima diz que o equipamento só ficará pronto no fim do ano que vem, alegando que tem prazo adicional de 540 dias acertado com a direção anterior da estatal. Hoje a empresa fez a segunda apresentação da plataforma de produção P-36, que chegou ao Rio na última sexta-feira e foi recebida oficialmente pelo ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, ao lado do presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, em solenidade para a qual os diretores da Marítima não foram convidados.
Na cerimônia da Marítima, no Estaleiro Mauá, o único representante da Petrobras foi o diretor de Engenharia, Antonio Menezes. German Efromovich, diretor-presidente da Marítima, minimizou a crise, que se tornou pública nos últimos meses, quando dois contratos para fornecimento de sondas foram suspensos pela Petrobras por atraso na entrega. "Eu tenho divergências com minha esposa e não me divorcio por causa disso", disse.
Diplomaticamente, elogiou a direção da Petrobras no discurso solene e, depois, afirmou que acredita numa solução conciliatória. A P-36 só foi concluída depois de uma intervenção da Petrobras que garantiu financiamento para a obra e quatro contratos entre as duas empresas correm o risco de serem rescindidos, também por atraso na entrega. Os diretores da Marítima garantem que irão concluir as obras encomendadas pela Petrobras, mas já admitem a possibilidade de os equipamentos serem utilizados em outros campos de petróleo.

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