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segunda-feira, 22 de novembro de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 22 (AE) - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, afirmou hoje que a inflação deve voltar a seguir trajetória de queda, depois de sofrer "choques de oferta" por altos reajustes, que tiveram impacto no custo de vida em outubro e novembro. "A previsão para dezembro é que a inflação vai voltar ao normal", informou Fraga, durante solenidade de lançamento do novo Código de Ética e do Código Operacional do Mercado pela Associação Nacional de Instituições do Mercado Aberto (Andima), no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA).
"Não acredito na tese da gravidez do IPC (Índice de Preços ao Consumidor)", afirmou Fraga. Ele referiu-se à tese de que a alta da inflação na agricultura e na indústria, captada pelo Índice de Preços ao Atacado (IPA) da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) esteja sendo repassada inteiramente para o IPC, que registra a variação de custo de vida no varejo.
Os dois índices, ao lado do Índice Nacional de Custos da Construção (INCC), são usados no cálculo do Índice Geral de Preços (IGP) da FGV, que mede a inflação em todos os níveis da economia. Fraga defendeu a tese de que a sociedade brasileira tem de acompanhar a inflação pela alta no consumo - como a apurada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
usado para medir as metas de inflação que o BC tem de alcançar neste e nos próximos dois anos.
Dólar pressionado - Em relação à cotação do dólar, o presidente do BC argumentou que no final deste ano a cotação da moeda norte-americana é influenciada pelo grande volume de pagamentos de títulos lançados pelo governo no exterior, para financiar sua dívida, ao mesmo tempo em que o mercado internacional está com falta de liquidez. "É um problema sazonal, e a situação vai voltar ao normal logo", afirmou.
Fraga lembrou que a intenção do governo é alongar os prazos de pagamento da dívida, à medida que consegue "gerar um ambiente econômico previsível". O presidente do BC previu também que a economia vai ser beneficiada pela melhoria da balança de pagamentos, que registra todas as transações financeiras realizadas pelo País com o exterior.
Ele negou que o presidente Fernando Henrique Cardoso tenha atacado o mercado financeiro internacional neste fim de semana, na Itália. "O presidente fez declarações que devem ser lidas no detalhe", defendeu. "O que ele disse foi que temos de ter um mercado financeiro preparado para choques", analisou. O presidente, em encontro com líderes internacionais em Florença, para discutir a chamada "terceira via", apresentou formalmente
ontem, uma proposta - que não foi bem recebida - de regulamentação do fluxo de capitais para evitar o contágio da crise de um país para outro.
Sobre o resultado das contas públicas anunciado hoje, em Brasília, Fraga afirmou que o saldo reflete "um esforço fiscal forte e um contínuo trabalho de recuperação do País".


