PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de novembro de 1999
Por Rodney Vergili 
São Paulo, 22 - A Mastec Inepar -líder no mercado de instalação de sistemas de telecomunicações- tem observado redução nas importações de equipamentos e aumento na produção local após a liberalização cambial de janeiro de 1999. No ano passado, as operadoras de telefonia aproveitaram o câmbio defasado para realizarem importações de novas tecnologias.
Após a desvalorização cambial do início deste ano, as empresas passaram a produzir no Brasil, como é o caso da Nortel Networks, a Alcatel, Nokia e as empresas de maior tempo de atuação no país como a Siemens e a Ericsson. Kalil Cury Filho, presidente da Mastec Inepar, diz que as importações de equipamentos de telecomunicações reduziram-se de maneira drástica neste ano, incentivando a produção local.
Os investimentos no setor de telecomunicações multiplicaram-se de uma média história de US$ 3 bilhões nos últimos dez anos antes da privatização da Telebrás para os US$ 12 bilhões atuais. Segundo Cury, o número de telefones fixos no Brasil passou de 13 milhões em 1994 para 25 milhões em 1999. O número de telefones celulares saltou de 800 mil em 1994 para 5,4 milhões em 1998 e 13 milhões em 1999.
Eficiência - A Mastec Inepar S/A Sistemas de Telecomunicações ganha eficiência com a reorganização do acionista Inepar. A afirmação é de Kalil Cury Filho, presidente da empresa. O grupo norte-americano Mastec -líder no mercado de sistemas de telecomunicações nos Estados Unidos com faturamento anual de US$ 1 bilhão- possui 51% do capital de R$ 60 milhões da empresa brasileira, enquanto a Inepar possui os restantes 49% do capital.
A Inepar anunciou recentemente que passa a gerenciar suas operações em três unidades de negócios independentes. A Inepar S/A Indústria e Construções que fabrica produtos na área de infra-estrutura (geração, transmissão e distribuição de energia, equipamentos para telecomunicações, plataformas de petróleo, siderúrgicas e mineradoras, sistemas de transporte metroferroviário, plantas completas de processo industrial e saneamento básico). A Inepar Energia, que desenvolve projetos para empresas de geração, transmissão e distribuição de energia e a Inepar Telecom -responsável pela tecnologia em todos os setores de telecomunicações como comunicação via satélite, redes digitais e internet de alta velocidade. Segundo Cury Filho, a reorganização da Inepar trará mais sinergia, integração e eficiência também para as operações da Mastec Inepar.
Qualidade - A Mastec Inepar tem observado aumento nos preços e na demanda setorial no segundo semestre deste ano. O presidente da empresa afirma que logo após o processo de privatização das telecomunicações as operadoras cortaram em 30% os preços pagos para os fornecedores de serviços. A rentabilidade (lucro líquido) sobre vendas da Mastec Inepar caiu de 10% em 1998 para um intervalo este ano entre 6% e 8%. O faturamento da empresa caiu de R$ 180 milhões em 1998 para uma estimativa de R$ 120 milhões em 1999.
O achatamento nos preços fez com que as grandes empresas de engenharia e instalação fossem abrindo espaço para as empresas menores e menos qualificadas, que apresentavam nas concorrências valores mais baixos. Segundo Cury Filho, isso acabou resultando em baixa qualidade dos serviços, afetando a imagem das operadoras de telefonia. A lição foi aprendida e as operadoras voltaram a demandar os serviços de empresas mais qualificadas neste segundo semestre, pagando preços mais justos, diz Cury Filho.
O segmento de instalação de linhas telefônicas passou a contar com mais de 200 empresas após a privatização e agora o empresário acredita que o segmento passará por um processo de consolidação com redução no número de companhias sem diminuir o emprego setorial. A Mastec Inepar emprega mais de um mil trabalhadores.
Manutenção - As operadoras de telecomunicações estão implantando no Brasil um sistema inédito no mundo em que as instaladoras ficam responsáveis pela manutenção de toda a rede instalada (a nova e a antiga) em uma região. A declaração é do presidente da Mastec Inepar. A companhia está sendo responsável por exemplo pela expansão da rede de telefonia e pela manutenção da cidade de Itabuna (Bahia). Segundo o executivo, essa terceirização das operações por parte das operadoras exige uma qualificação cada vez maior, pois a empresa instaladora fica responsável pela prestação contínua da assistência técnica até mesmo pela rede já existente na região. Segundo Cury, é um "passo ousado" do setor, um desafio, e o risco para a empresa instaladora dos equipamentos de telefonia é ficar responsável por redes antigas problemáticas.


