Miami, 19 (AE) - A proposta do prefeito de Miami, Joe Carollo, era ambiciosa: reunir as prefeituras de 34 países do continente americano (todos com exceção de Cuba).
Para lançar essa idéia, Carollo investiu US$ 1,5 milhão num encontro de três dias, que terminou hoje e do qual participaram 200 prefeitos - entre eles 30 do Brasil.
A maior delegação foi a mexicana, com 36. A mais expressiva foi a argentina, chefiada pelo presidente Carlos Menem. O Canadá enviou 11 representantes, para marcar seu interesse pela integração regional. E o Haiti, o mais pobre, apenas um.
Já os Estados Unidos - patrocinadores da Alca (A área de Livre Comércio das Américas, que liberalizará o intercâmbio comercial entre os 34 países a partir do ano 2005) e desse novo projeto de integração municipal - se destacaram pela ausência.
Na abertura, além de Carollo, havia uma dúzia de prefeitos norte-americanos - todos eles do estado da Flórida e um do Kansas. Para o encerramento, só mesmo Carollo ficou.
Hoje, no dia marcado para falar sobre a importância do comércio regional e o poder dos municípios, a sala estava vazia. Dos 200 convidados, apenas uma centena de pessoas (entre elas assessores e jornalistas) ouviram os discursos do diretor da Secretaria da Alca (cuja sede é em Miami), Michael Eastman, e do prefeito de São Paulo, Celso Pitta.
Coube ao presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias, fazer o discurso final, para demonstrar o apoio das instituições financeiras internacionais ao que consideram será a tendência do século XXI - a crescente autonomia dos muncípios, para resolver seus problemas, sem depender da vontade política e dos recursos dos governos centrais.
Mas em Miami - a cidade que quer se projetar como capital do continente americano - a discussão era sobre política local, e não internacional. Carollo diz que o evento projetou o município em toda a América Latina. Mas seus opositores dizem tudo que não passa de um ato de campanha eleitoral.
A primeira conferência de prefeitos das Américas foi realizada justamente no momento em que ninguém sabe o que acontecerá com a prefeitura de Miami. Nas últimas eleições, o vitorioso foi Xavier Suarez (que contou com o apoio de vários eleitores mortos ou inexistentes). Descoberta a fraude, os resultados foram anulados e o rival de Suarez, Carollo, assumiu o cargo.
O mandato de Carollo, no entanto, será curto. Num plebiscito, os eleitores de Miami votaram a favor de uma mudança na estrutura do governo municipal. Um novo prefeito, com maiores poderes, deverá ser eleito em março - e Suarez quer aproveitar a ocasião para retomar o poder de Carollo.
Na falta de um compromisso maior, os prefeitos concordaram em criar uma comissão temporária. A sua tarefa será redigir um documento, propondo a estrutura da nova organização de governos municipais das Américas. Pitta sugeriu São Paulo, como sede do próximo encontro, mas Argentina e Colômbia têm as mesmas aspirações.





