Moscou, 19 (AE-AP) - No mesmo dia em que, em Istambul, a cúpula da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) terminava com a assinatura da declaração final - na qual os russos admitem que essa entidade pode ter um papel na solução política do conflito checheno -, em Moscou, o chanceler russo, Igor Ivanov, reiterava que seu país não havia mudado de posição sobre a questão, que considera um assunto interno.
Um dos principais avanços na declaração, firmada após dois dias de reuniões entre 54 países, foi a aceitação do papel da OSCE na solução de conflitos internos dos países membros quando eles transcendem suas fronteiras.
Ontem, o presidente Boris Yeltsin fez um duro discurso em que rejeitava a intromissão interna nas questões russas e deixou claro que não aceitaria a menção da questão chechena no documento final. Ele chegou a partir da cúpula duas horas antes do previsto, levantando dúvidas sobre se esse gesto representava a disposição de não negociar a questão ou se se tratava de jogo de cena para o público russo - a um mês das eleições parlamentares.
No fim, as duas análises parecem corretas. A Rússia fez concessões, ao aceitar a inclusão da questão chechena e o possível papel da OSCE, e manteve-se firme em sua política interna, a julgar pelas declarações das autoridades russas nesta sexta-feira (19).
"Não se pode falar de mediação política ou ingerência nos assuntos da Federação Russa", reiterou Ivanov. "A OSCE pode participar na ajuda humanitária aos refugiados." Quanto à solução política mencionada no documento, Ivanov explicou que ela só será aplicada "quando os bandidos tiverem sido eliminados" - numa referência aos rebeldes chechenos.
Ivanov aparentemente voltou atrás também no acerto feito na cúpula sobre a visita do presidente da OSCE, o noruguês Knut Vollebaek, à república separatista russa da Chechênia, onde se reuniria com autoridades locais para buscar uma solução pacífica para o conflito. Ele disse não ter pressa de receber Vollebaek e ele poderá ir apenas às regiões chechenas sob controle russo. Ou seja, as áreas ao norte ocupadas pelas tropas federais desde o início de outubro, depois que a Rússia iniciou a ofensiva militar na região, a princípio para eliminar as bases de rebeldes islâmicos que haviam invadido a república russa do Daguestão.
Declaração semelhante foi dada pelo vice-ministro do Interior, Vladimir Ruschailo, e pela Assessoria de Imprensa do presidente Boris Yeltsin.
Enquanto a Chancelaria mantinha as linhas mestras da política russa para o Cáucaso, no plano militar a situação também continuava inalterada: as tropas federais continuaram bombardeando a república separatista da Chechênia e o Estado Maior das Forças Armadas informou já ter sob controle cerca de 80% da região que circunda a capital, Grozny.
Recém-chegada de uma visita ao território checheno sob controle russo e à república russa da Ingushétia, onde se refugiaram mais de 210.000 chechenos, a alta comissária das Nações Unidas para Refugiados, Sadako Ogata, disse que a situação não é de catástrofe humanitária, mas criticou os russos por não fazer esforços para melhorar situação dos refugiados.

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