Madri, 19 (AE-AP) - O juiz Baltasar Garzón, famoso pelos processos contra o ex-ditador chileno Augusto Pinochet e alguns militares argentinos, informou nesta sexta-feira (19) ter pedido ao Tribunal Supremo que determine se há provas suficientes para processar o ex-presidente de governo Felipe González em conexão com os "esquadrões da morte" da década passada.
Os esquadrões dirigiram seus ataques principalmente contra indivíduos suspeitos de pertencer aos movimentos separatistas bascos.
O magistrado observou que o Tribunal determinou em 1996 não haver provas suficientes para processar González em ligação com um sequestro em 1983, considerado a primeira ação dos chamados Grupos Antiterroristas de Libertação (GAL).
A essas unidades GAL foram atribuídos 27 assassinatos de membros do grupo separatista ETA (Terra Basca e Liberdade) ou de seus simpatizantes, entre 1983 e 1987, no sul da França, onde se escondiam os filiados a este grupo basco.
Mas Garzón disse que o tribunal deveria examinar documentos recém-divulgados pela inteligência militar espanhola para determinar se González poderia ser processado efetivamente por seu suposto papel na criação dos esquadrões da morte.
Em declarações feitas em Barcelona, González disse ter a consciência tranquila e desmentiu todo o papel dos GAL, segundo a agência de notícias Europa Press.
Garzón não tem jurisdição para processar González porque este desfruta de imunidade parlamentar, precisando deixar o caso sob responsabilidade do Tribunal Supremo.

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