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sexta-feira, 19 de novembro de 1999
Por Patrick Quinn 
Atenas, 19 (AE-AP) - A polícia entrou em choque hoje (19) com centenas de manifestantes anti-Estados Unidos nas ruas de Atenas. Os manifestantes atearam fogo em dezenas de lojas depois que foi confirmada a proibição de promoverem uma passeata até a Embaixada dos EUA para protestar contra a visita do presidente americano, Bill Clinton.
Lojas e bancos foram incendiados no centro de Atenas, a poucos quarteirões de onde Clinton deveria participar de um jantar no palácio presidencial.
Tropas de choque atiraram dezenas de bombas de gás lacrimogêneo contra auto-proclamados anarquistas, que levantaram barricadas em importantes avenidas do centro da capital grega. A violência eclodiu no momento em que o avião de Clinton aterrissou no aeroporto internacional de Atenas.
Uma fumaça escura e ácida encobriu partes do centro da cidade entre Syndagma e a praça Omonia, que estava devastada. Mais de 60 lojas e bancos foram danificados, informou a polícia. Manequins descobertos estavam espalhados pelas ruas enquanto soavam os alarmes depois de os manifestantes quebrarem janelas de lojas e jogarem coquetéis Molotov dentro delas.
Manifestantes mascarados arrancaram pedras da calçada e grandes vasos de cimento para atirar contra a polícia. A maior parte dos atos violentos era desencadeada pelos anarquistas, que atacavam a polícia com coquetéis Molotov, pedras e sinalizadores.
Os manifestantes provocavam incêndios enquanto corriam de rua em rua e de quarteirão em quarteirão, ao mesmo tempo que espectadores ficavam sufocados em nuvens de fumaça e gás lacrimogêneo.
Montes de lixo estavam acumulados ao longo das ruas devido a uma greve de coletores de lixo. Pelo menos 15 pessoas ficaram feridas e mais de 20 foram detidas pela polícia. Trinta e cinco caminhões do corpo de bombeiros e mais de 150 homens da corporação tentavam conter os focos de incêndio.
Membros do Partido Comunista Grego, organizador do protesto ao lado de outras duas organizações esquerdistas menores, pediram a seus partidários que voltassem para suas casas.
Eles culparam o governo por permitir que apenas um pequeno grupo de pessoas tivesse acesso a Syndagma e acusaram a polícia de não cumprir seu papel. Eles disseram que não houve violência quarta- feira, quando 15.000 manifestantes marcharam até a Embaixada dos Estados Unidos.
"Não entendo o que aconteceu. Por que a polícia permitiu a aproximação deles?" questionou o deputado comunista Andonis Skylakos.
Inicialmente, mais de 10.000 pessoas se reuniram para um protesto anti-EUA em Syndagma, pouco antes da chegada de Clinton.
Manifestantes avançaram contra a polícia, que bloqueava uma importantes via de acesso à embaixada norte-americana após fracassarem negociações entre organizadores e policiais.
O ministro da Ordem Pública, Michalis Chrisochoidis, disse a Aleka Papariga, líder do Partido Comunista Grego, e a um grupo de deputados que os manifestantes não teriam permissão para ultrapassar o cordão. A declaração foi feita após a suprema corte administrativa da Grécia, o Conselho de Estado, adiar uma contestação legal feita por manifestantes para que as restrições à passeata fossem consideradas ilegais.
Mas anarquistas que aderiram a uma de outras duas manifestações próximas reuniram-se ao protesto principal e responderam ao gás lacrimogêneo com bombas de gasolina.
Os protestos, liderados por comunistas, foram concentrados na frente da Embaixada dos Estados Unidos, desafiando os limites da maior operação policial de todos os tempos realizada no país.
Organizadores pediram aos manifestantes que testassem as barreiras policiais e fossem rumo à embaixada. Houve manifestações em outras cidades gregas.
Mais de quatro mil manifestantes cantando "Clinton, fascista, assassino" queimaram bandeiras norte-americanas em frente ao Consulado dos Estados Unidos na cidade portuária de Thessaloniki, no norte do país. Eles partiram pacificamente.
Clinton permanecerá menos de um dia em Atenas.


