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sexta-feira, 19 de novembro de 1999
Por CRISTIANO DEL RICCIO 
Washington, 19 (AE-ANSA) - O favorito a ser o candidato republicano à Casa Branca, George W. Bush, se aventurou hoje (19) no terreno minado da política externa, depois de meses de constrangedores erros, para mostrar finalmente aos Estados Unidos sua visão do mundo.
E a visão dele é pouco alentadora: a China é um rival, a Rússia ainda é perigosa e a Europa deve agir sozinha.
Bush escolheu para sua estréia um local simbólico, a Biblioteca Ronald Reagan, na Califórnia, depois de ter durante meses reuniões com uma equipe de conselheiros composta por "velhos escudeiros" de Ronald Reagan e de seu pai, o ex-presidente George Bush, uma equipe forjada pela Guerra Fria.
Bush foi duro com Moscou: "Quando os russos atacam civis, matando mulheres e crianças, não podem esperar ajuda de nenhuma instituição internacional".
Ele também foi inflexível com Pequim: "a China não é uma parceira estratégica, é nossa competidora. O governo chinês é um inimigo da liberdade religiosa e responsável por aborto forçado - são políticas impiedosas".
Ele também atacou Bill Clinton por enviar tropas a conflitos locais, como Kosovo. A Europa deve aprender a agir sozinha e a ONU só receberá os fundos americanos se for menos burocrática e reduzir a cota atribuída a Washington.
Sua flagrante ignorância em política externa se transformou num dos calcanhares de Aquiles de sua candidatura à Casa Branca. "Estou disposto a dirigir o país - se defendeu. Como governador do Texas tenha negociado por muito tempo com o México".
Mas alguns de seus erros deixaram desanimados até seus defensores mais ardentes. Ele confundiu a Eslováquia com a Eslovênia, chamou de "grécios" os habitantes da Grécia, não conseguiu nomear os governantes da Índia, Paquistão e Indonésia.
"É um novo Dan Quayle, sem a sua experiência", comentou sarcasticamente um notável do Partido Democrata.
Bush, que sempre foi um estudante medíocre, decidiu trabalhar com afinco, recebendo aulas periódicas dos "Vulcanos", sua equipe de política exterior, dirigida por George Schultz, ex-secretário de Estado, e Condoleezza Rice, especialista em Rússia na administração Bush. O nome da equipe é uma referência à divindade romana hábil em forjar metais duros e pouco maleáveis.
Trata-se de um mal nome para Bush, que admite nã ter viajado muito ao exterior, ao contrário de seu provável rival Al Gore, mas que sublinha que o mais importante é a filosofia do ocupante da Casa Branca: os detalhes podem ser resolvidos pelos assessores.
Uma filosofia não muito distante da de Reagan. Só que os tempos mudaram.


