Paris, 19 (AE) - Tendo entrado na "cultura da Internet" com grande atraso em relação aos Estados Unidos, ao Japão, a alguns países europeus ou emergentes, a França está agora "dopada" com as novas tecnologias.
Jovens ou velhos, diretores de empresas veneráveis ou jovens empresários, a maior parte dos responsáveis pelas decisões e dos economistas estimam que a Internet anuncia uma nova era para a economia e talvez para a história.
O governo de Lionel Jospin, que se esforça ao máximo para parecer "moderno", é um apaixonado pela Internet. Vê nela a "promessa de um novo crescimento". O presidente de uma empresa centenária (Vivendi, isto é, a antiga Compagnie Générale des Eaux) escreve que a Internet, o mundo cibernético, constitui "o grande reservatório de crescimento do próximo século".
Manuel Castels vê na Internet uma nova etapa, decisiva, na "evolução do capitalismo". O exemplo americano, uma vez mais, fascina: em cinco anos, 50% dos norte-americanos trabalharão em setores de tecnologias de informação.
Algumas vozes discordantes esfriam um pouco essa máquina de entusiasmo. Sem negar que a Internet é um fenômeno notável, elas acham que seu impacto sobre o crescimento está sendo supervalorizado e em parte é resultado de uma "miragem". O escritor Jean-Claude Guillebaud fala de uma "ciberbeatitude".
Há um ruidoso confronto entre os "antigos" e os "modernos". Entre os críticos dessa "Pan-Internet", está um professor de economia da Universidade de Nancy, de 37 anos, Eric Brousseau.
Ele começa observando que a paixão pela Internet foi frabricada, a golpe de artigos nos jornais por parte das firmas do setor de comunicações. "As previsões sobre o comércio eletrônico emanam de grupos de estudos a serviço de empresas eletrônicas".
Eric Brousseau não contesta o poder das redes, mas impugna o que, na sua opinião, parece dominar este final de século: "uma confiança quase cega na tecnologia "high tech" e no capitalismo" Examina os exemplos de sucesso no comércio cibernético: Yahoo, Cisco, Amazon... Sobre Amazon, por exemplo, ele acha os resultados supervalorizados (aliás, os prejuizos sofridos pela Amazon parecem dar razão a ele). Mas então, porque este entusiasmo financeiro em relação à Amazon? Eric Brusseau responde: "Quando vocês investem na Amazon.com, não é porque vocês acreditam nesta empresa, mas porque vocês crêem que os outros acreditam nisso".
Em outros textos, ele enumera as imperfeiç$os da Internet. As pessoas pensam que o correio eletrônico facilita a comunicação, diz ele. "Mas não se interessam pelo tempo perdido, pelos defeitos de funcionamento... E as pessoas não observam que uma das peculiaridade do e-mail é o de permitir que a hierarquia controle o trabalho dos assalariados espionando as mensagens" (sem dúvida ele faz referência ao estudo da American Management Association International" que sugere que uma entre cada duas empresas norte-americanas controla o correio de seus empregados).
Outro argumento é que o equipamento de rede é um resultado da moda, uma sedução coletiva e cega, que não modifica obrigatoriamente os comportamentos. Segundo o professor, uma empresa instala sistemas de transportes de bagagens que ninguém utiliza e sites na Web sem indagar o porquê. Simplesmente porque está na onda, é uma coisa de nosso tempo. E acrescenta que nas empresas "a comunicação interna continua a passar pela máquina de café, certamente não pela Web".
Assim, a febre da Web se ligaria a um fenômeno já antigo e que os economistas conhecem muito bem: uma bolha especulativa.

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