Bogotá, 19 (AE-AP) - Camponeses, indígenas e trabalhadores da indústria e da economia informal estão em pé de guerra na Colômbia, gerando um dos períodos de maior agitação social no país. Eles reivindicam investimentos sociais, trabalho e ajuda do governo, que enfrenta o pior momento da economia colombiana neste século.
Já há três semanas que cerca de 40 mil camponeses e indígenas vêm bloqueando a rodovia Panamericana, que liga a Colômbia com o Equador e todo o sul do continente, criando uma situação de emergência pela escassez de alimentos, combustíveis e remédios em Popayán e Pasto, as duas principais cidades do sul do país.
Os manifestantes exigem investimentos sociais de cerca de US$ 400 milhões para diminuir os problemas de atraso e pobreza nessa região. Por outro lado, o governo afirma ter incluído no orçamento apenas 10% desse valor para tal fim.
O ministro do Interior, Néstor Humberto Martínez, denunciou que o protesto social vem sendo infiltrado pela guerrilha, que estaria impedindo que Popayán seja abastecida com produtos essenciais.
Deste ontem, um grupo de metalúrgicos está mantendo bloqueada a principal rodovia que conecta Bogotá com o norte da Colômbia. Eles protestam contra o fechamento da Paz del Río, companhia que pediu falência e não dispõe de fundos para pagar o salário de seus 4.200 funcionários. O governo, que possui apenas uma pequena parte das ações, prometeu salvar a empresa, que é a maior do departamento de Boyacá.
Ao mesmo tempo, 200 indígenas da tribo Uwa se instalaram desde de domingo em uma área da localidade de Samoré, onde a companhia norte-americana Occidental pretende perfurar quatro poços de petróleo.
A tribo, formada por cerca de 4 mil pessoas, considera que a perfuração de poços em áreas próximas a suas terras colocará em perigo sua existência e prometeu não permitir tal atividade, recorrendo, caso seja necessário, ao suicídio coletivo.





