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sexta-feira, 19 de novembro de 1999
Por Ribamar Oliveira Enviado especial 
Roma, 19 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso qualificou hoje como uma "provocação gratuita" a ameaça de invasão de sua fazenda por integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST). "Não vejo a lógica da situação; se ainda houvesse uma lógica..." Ele concorda com o raciocínio feito no dia anterior pelo ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann, de que o objetivo dos manifestantes é agredir a instituição da Presidência da República. "A esta altura, há uma reivindicação e uma falta de cabimento no modo de como levar adiante essa reivindicação que tem que ser tolhida pelo governo de acordo com a lei".
Fernando Henrique negou que tenha dado ordens para que tropas do Exército ocupassem a sua fazenda. "Não dei ordem nenhuma; estou sendo informado". Segundo ele, essa é uma questão "que se tem que deixar por conta das forças policiais". O presidente disse que não está pessoalmente preocupado com a situação. "Estou preocupado com o Brasil, pois acho que essas provocações são desnecessárias".
Segundo Fernando Henrique, os integrantes do MST que estão acampados na frente de sua fazenda querem receber um crédito do Banco do Brasil sem ter um projeto para poder obter os recursos. "O Banco do Brasil tem que olhar essa questão com certa cautela, pois é uma distribuição de recursos públicos", disse. "Esse crédito terá que ser pago daqui a dois anos". Ele acha que não tem sentido que os dirigentes do MST programem uma manifestação em frente à sua fazenda por causa de uma reivindicação como essa.
O presidente disse que esse tipo de manifestação não o ameaça em nada. "Eu não vivo na fazenda", lembrou. "Eu acho que ameaça é a eles (os integrantes do MST) próprios, pois isso não tem sentido do ponto de vista institucional". Fernando Henrique disse que está preocupado com as declarações que alguns dirigentes do MST" estão fazendo. "Alguns dos grandes responsáveis pelo MST tem feito declarações tão irresponsáveis, tão contra a democracia, que eu fico preocupado", disse. Ele não identificou esses dirigentes.


