Rio, 19 (AE) - O traficante José Carlos dos Reis Encina, o Escadinha, divulgou hoje nota à imprensa assegurando que o CD gravado com composições suas não faz apologia ao crime. "Procuro transmitir uma mensagem de repúdio às drogas e ao crime", escreveu o criminoso. "Gostaria que a imprensa e a opinião pública entendessem a virada de minha vida e que o passado morreu em memórias perdidas."
O CD Brazil 1 - Fazendo Justiça com a Própria Voz vendeu 100 mil cópias em dois dias e teve a tiragem esgotada nas lojas. A gravadora Zâmbia Fonográfica, que produz discos do grupo Racionais MCs, deve colocar mais 100 mil CDs à venda nos próximos dias.
O nome do disco seria uma alusão ao presídio de segurança máxima Bangu 1, onde cumpriu parte da pena de 50 anos de detenção. No material de divulgação da gravadora, o traficante é chamado de Zeca, Zequinha ou José Carlos - Escadinha rejeita o apelido - e é descrito como "um homem que não pesava mais do que 62 quilos, que conseguia ser amado e odiado ao mesmo tempo; famoso por não usar a violência, dava sua vida pela comunidade e oferecia sua fúria a estupradores, ladrões de ônibus, policiais corruptos".
Escadinha cumpriu 17 anos da pena a que foi condenado e em outubro o Supremo Tribunal Federal autorizou a progressão do regime fechado para semi-aberto. O traficante deve ser transferido para o presídio Plácido de Sá Carvalho, no Complexo de Bangu, na próxima semana. Uma entrevista coletiva do traficante está prevista para quarta-feira.

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