São Paulo, 19 (AE) - O promotor Norton Geraldo Rodrigues da Silva, do Tribunal do Júri, de Vila Mariana, em São Paulo, denunciou hoje o estudante de medicina Mateus da Costa Meira, de 24 anos, por três homicídios e 36 tentativas de homicídio. Meira
na noite de 3 de novembro, entrou com uma submetralhadora de fabricação norte-americana no MorumbiShopping. Depois de dar um tiro no espelho do banheiro do cine 5, para testar a arma, foi para a platéia e passou a atirar, matando três pessoas e ferindo outras cinco.
Na denúncia, de 77 linhas, o promotor afirmou que Meira premeditou o crime. Ao justificar a denúncia das 36 tentativas de homicídio, o promotor explicou que o pente da submetralhadora tinha 40 projéteis. Meira deu um tiro no espelho do banheiro. Restaram 39. Matou três e ficaram 36. Além dos 5 feridos, Meira deu outros 31 tiros. Silva denunciou o mecânico Marcos Paulo Almeida dos Santos pela venda da submetralhadora.
Prisão - O juiz José Ruy Borges Pereira, do 1.º Tribunal do Júri, de Vila Mariana, recebeu a denúncia no início da noite de hoje. Pereira decretou a prisão preventiva do estudante e do mecânico que vendeu a arma a ele. O interrogatório dos dois foi marcado para as 9 horas do dia 29.
Segundo Silva, o estudante, que faz o sexto ano da Faculdade de Medicina da Santa Casa de Misericórdia, atirou contra pessoas que nem sequer conhecia. Para o promotor, isso "revela a falta de um mínimo de afeição de sua parte para com seu semelhante; revela o menosprezo, o desdém, a desestima que nutre pelos seres humanos de um modo geral, sentimentos esses ignóbeis, abjetos, que lhe determinaram agir como agiu".
Silva fez um relato do que ocorreu no dia do crime, começando pela compra da submetralhadora. Meira pagou ao mecânico Marcos Paulo Almeida dos Santos, de 21 anos, R$ 5 mil pela arma. No mesmo dia, às 22h49, saiu do centro da cidade num táxi com destino ao shopping, onde atirou na platéia do filme Clube da Luta.
O estudante de medicina matou Fabiana Lobão de Freitas, Hermé Luísa Jatobá Valdasz e Júlio Maurício Zemaitis. Feriu Andréa Cury Lang, Antônio José de Carvalho Amaral Martins, Alexandre Guidoni, Carlos Eduardo Porto de Oliveira e José Eduardo Andrade.
Erro - O promotor disse que o objetivo de Meira era matar os que estavam na sala. Mas não obteve êxito por erro de pontaria e pela pouca luminosidade que havia no local. Meira, ainda segundo o promotor, teve dificuldade no manuseio da arma. "Não logrou, contudo, matar e nem mesmo ferir o restante das pessoas que pretendia e podia, objetivamente, atingir por circunstâncias alheias à sua vontade."
Para o promotor, os crimes foram praticados também de forma a dificultar a defesa das vítimas e a criar situação de perigo. "Sentadas em suas cadeiras, assistindo a uma exibição cinematográfica, foram todas surpreendidas com a invasão pelo acusado, que de arma em punho passou a disparar contra elas."
Cocaína - Silva citou o exame toxicológico do Instituto Médico-Legal (IML), que constatou ter o estudante feito uso de cocaína no dia em que matou as três pessoas e feriu as outras cinco. "Embriagou-se com a substância entorpecente conhecida como cocaína, com o propósito de praticar a conduta delituosa que efetivamente praticou."

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