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sexta-feira, 19 de novembro de 1999
Por Roseli Loturco 
São Paulo, 19 (AE) - Representantes de pais de alunos da zona sul de São Paulo entraram hoje no Ministério Público contra a troca de professores que está sendo feita agora, ao final do ano letivo, pela Secretaria Municipal de Educação (SME), afetando cerca de 100 mil alunos. Os números, do Sindicato dos Profissionais em Educação do Ensino Municipal (Sinpeem), não são reconhecidos pela SME, que nega o caso, alegando que seria um absurdo haver troca de professores nesta época do ano.
A denúncia é da mãe de aluno e membro da executiva do Fórum Regional de Defesa dos Direitos de Crianças e Adolescentes da Capela do Socorro, zona sul, Marlene Ferreira, que liderou o movimento que encaminhou ao MP dossiê de repúdio e um pedido de averiguação do caso. "Entramos na Vara da Infância e da Juventude, do MP, com pedido de averiguação do caso. É um escândalo o que está acontecendo. Tenho dois filhos, um na sétima e o outro na oitava série na EMEF Miguel Vieira Ferreira e os dois foram surpreendidos agora, no final do ano, com a troca de professores", afirma. "O desempenho dos dois caiu. Eles estão desinteressados pela disciplina em questão. Perderam a referência".
Na avaliação do Sindicato, a troca de 9.554 professores, que passaram no concurso público de novembro de 1998 e só estão sendo chamados agora, no final do ano letivo, vem causando polêmica entre professores, pais e alunos. Cerca de 70% desse total já foi remanejado pela Secretaria Municipal de Educação, tomou posse entre os meses de setembro e outubro e já estão em sala de aula. O restante se prepara para assumir, ainda em 1999, seus postos de trabalho, a pouco mais de um mês do final do ano. "Nós repudiamos o que foi e está sendo feito pela SME, e já dissemos isto ao secretário. O estrago, do ponto de vista pedagógico, para professores e alunos, é imenso", considera Júlio Duarte, secretário geral do Sinpeem.
A rede municipal de ensino conta atualmente com 911 mil crianças matriculadas, 36 mil professores e cerca de 40 alunos por sala. A situação pode ser considerada um pouco mais grave no caso das EMEIs (Escola Municipal de Educação Infantil), que abrigam 204 mil crianças de 4 a 6 anos, onde os alunos dificilmente entendem o que está acontecendo. Marlene alerta para a gravidade da situação não só do ponto de vista pedagógico
mas também emocional e estrutural da situação. "A criança nesta faixa etária, dos 4 aos 6 anos, muitas vezes, vê na figura do professor o elo mais forte que possui com a escola. Uma troca
no final do ano compromete todo o desempenho, toda evolução disciplinar que as crianças vinham conquistando até então", denuncia a mãe.


