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sexta-feira, 19 de novembro de 1999
Por Luciana Garbin 
São Paulo, 19 (AE) - Fuzis AR-15, metralhadoras 9 milímetros e até um lançador de granadas de uso do Exército dos Estados Unidos foram algumas armas utilizadas na madrugada de hoje durante uma tentativa de assalto à sede da empresa de segurança Protege, na Rua Adriano José Marchini, na água Branca, em São Paulo. A ousadia da quadrilha, de cerca de 30 pessoas, incluiu sequestros, cativeiros, veículos com emblemas da polícia e microcâmera.
A operação começou às 13 horas de quinta-feira (18), quando três homens armados chegaram à residência do gerente operacional da Protege, Gilmar da Silva Machado, de 40 anos, na Penha. Ali apresentaram-se como policiais federais, dominaram sua família e passaram toda a tarde na casa.
Às 17 horas, o funcionário voltou do trabalho e foi levado com a mulher, filhos e inquilinos para um cativeiro na Vila Jaguara. A seguir, ele e a família foram transferidos para um segundo cativeiro em São Bernardo do Campo. No caminho, tiveram os olhos vendados e sofreram ameaças de morte.
Pouco tempo mais tarde, às 21 horas, no bairro de Santana, o encarregado de segurança da Protege Erison Alvarenga Corsi também era rendido. Três homens vestidos com roupas sociais o abordaram quando entrava na garagem de sua casa e o obrigaram a seguir com a mulher e os filhos até o cativeiro na região do ABC. Lá, colocaram-lhe uma gravata de seda na qual estava conectada uma microcâmera e um aparelho de transmissão de áudio. A idéia dos bandidos era monitorar o roubo à sede da Protege, mas o aparelho teria falhado.
Aparato - Por volta das 3 horas de hoje alguns integrantes da quadrilha fizeram Corsi entrar num automóvel Golf de cor prata e ir até a sede da Protege. Dando cobertura, estavam uma picape Blazer com emblema da Polícia Federal, uma Veraneio com emblema da Polícia Civil e dois caminhões roubados, com adesivos falsos da Protege. O plano era utilizar as peruas para ajudar na entrada e os caminhões para carregar os homens da quadrilha e o dinheiro do roubo.
Quando Corsi chegou com os ladrões na entrada da Protege
o supervisor de portaria Diomar José da Silva, de 36 anos, ainda não sabia que sua mulher também tinha virado refém dos bandidos. Para intimidar o funcionário, a quadrilha tirou fotos dos parentes com fuzis apontados para suas cabeças. Neste momento, o plano começou a dar errado. Segundo informações de representantes da empresa, os vigias teriam estranhado a presença dos carros de polícia e a aparência dos caminhões, acionaram o alarme e travaram as portas da Protege.
"Eles levaram o Erison até lá na intenção de abrir a base, mas nosso sistema de segurança tem várias fases; quando viram que não conseguiriam entrar, eles comunicaram o fracasso ao resto da quadrilha e desativaram o esquema", diz o superintendente de segurança da Protege, Hirton Martins Rodrigues.
Por meio de rádios de transmissão, um integrante do bando teria comunicado aos que estavam no cativeiro que o plano havia falhado. Apesar das ameaças de morte, não houve tiroteio, nem feridos entre os funcionários. O único a sofrer agressão física foi Corsi, que levou um soco no rosto. Às 3h45, um carro de polícia chegou à sede da empresa, mas os bandidos haviam escapado.
Fuga - A quadrilha fugiu na Blazer, na Veraneio, no Golf prata e em dois automóveis que foram roubados da casa do gerente da Protege: um Tempra vermelho, placa CLQ1821, e um Gol branco, placa CMN5450, que foi encontrado em Pirituba hoje à tarde. Os assaltantes também levaram dos seguranças três revólveres e deixaram para trás os dois caminhões roubados. Um deles foi achado no começo da Rodovia Anhanguera e o outro na Freguesia do à. A polícia encontrou o lançador de granadas, munição, quatro fotos Polaroid, um colete de couro, um capuz e a gravata com a microcâmera e o transmissor de som.
Às 6h30 os reféns foram liberados na Rodovia dos Imigrantes, na região do Riacho Grande. Algumas horas mais tarde
os três funcionários vítimas dos sequestradores mais o vigia Everaldo Liberato da Silva, de 32 anos, prestaram depoimento no 7º Distrito Policial, no bairro da Lapa. O gerente da Protege confirmou que mais de 30 pessoas estavam envolvidas no crime. "Eles nos diziam que tínhamos de seguir as normas e nada ia acontecer", disse.
O delegado William Mendes revelou que as vítimas estavam bastante abaladas durante o depoimento e que a ação foi de profissionais. "Agora temos de ouvir os parentes e outros envolvidos e prosseguir com as investigações." A Protege promete ajudar a polícia numa apuração paralela do caso. Há suspeitas da participação de funcionários ou ex-funcionários da empresa.


