Recife, 19 (AE) - Sete experiências de combate à desertificação apresentadas hoje na Terceira Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP-3), em Olinda (PE), mostram ser possível reverter o processo de degradação do solo, que já afeta 30% do território do Planeta e tem se ampliado rapidamente em todos os continentes.
Implantadas em áreas pobres e atingidas pela desertificação na América Latina, ásia e áfrica as experiências receberam o prêmio institucional "Proteção das Terras Secas" concedido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Um dos premiados foi o programa de recuperação de uma floresta localizada em Haryana, no norte da Índia, da qual só restavam 4% da área com cobertura vegetal. Lançado em 1990, numa parceria entre o Departamento de Estado da Índia e comunidades locais, o programa conseguiu aumentar o número de árvores de 700 por hectare para 3.960 por hectare, ampliando a área coberta com árvores em 233%.
De acordo comV. Varalakshmi houve também uma redução da perda de água e de solo e menor número de incêndios. São beneficiadas 60 mil pessoas de 64 comunidades neste projeto. Elas fiscalizam a exploração da floresta porque puderam passar a viver dela, cortando uma grama que vendem para fábricas de papel. Na floresta as comunidades construíram represas. "Enquanto o Estado tinha uma atitude policialesca, nada conseguiu", frisou Varalakshmi. "É absolutamente fundamental o envolvimento da comunidade, o que se dá quando há a perspectiva de ganho financeiro".
Já em três províncias de Burkina-Faso, na áfrica, uma mobilização de mulheres que hoje conta com mais de 11 mil participantes, tem conseguido aliviar a pobreza e aumentar a produtividade rural em uma zona árida conservando o meio ambiente, através de técnicas de compostagem, pequenas represas e cultivo de hortas como forma de controlar a erosão.
Outro exemplo de projeto vencedor foi o adotado na província Guantánamo, em Cuba, onde foram plantadas 10 milhões de árvores, houve um aumento de 20% na cobertura vegetal, redução da salinização e reprodução de espécies que corriam risco de extinção.

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