Brasília, 19 (AE) - Um grupo de 17 modelos negros caminhou 750 quilômetros até Brasília para protestar contra a discriminação racial no País. Hoje eles entregaram documento ao vice-presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PPB-PE), e ao deputado Paulo Paim (PT-RS). Eles saíram de Belo Horizonte no dia 26 de outubro e chegaram ontem (18) à capital.
A caminhada foi batizada de "Marcha de Brasília: Também somos Brasil" e foi organizada em comemoração ao Dia da Consciência Negra. Segundo a modelo Adriana Ferreira, eles andavam cerca de 45 a 50 quilômetros diariamente. A modelo afirma que os negros são discriminados no mercado de trabalho. Ela diz que normalmente um negra ganha 50% menos do que uma branca, mesmo ocupando o mesmo cargo. Observa ainda que na sua área há poucas vagas para negros. "A participação é mínima nos out doors e propagandas", diz, comentando que quando há negros nas campanhas eles tem pele não muito escura. Adriana quer o cumprimento do artigo 5.º da Constituição segundo o qual todos são iguais independentemente de raça e cor.
Outro integrante do grupo de modelos, Paulo Henrique Ferreira, conta ´já ter sido alvo de racismo. Uma agência de publicidade selecionou a maioria dos modelos da agência a que ele está ligado em Belo Horizonte para um trabalho. "Eu era o único negro e fui cortado."
A caminhada a Brasília ajudou os modelos mineiros a aumentarem a sua auto-estima, informa Adriana. "Por onde passamos fomos recebidos de forma calorosa pela população", lembra. Não foi somente o apoio à iniciativa do grupo que agradou os modelos. "Verificamos que não somos os únicos insatisfeitos", afirmou.

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