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sexta-feira, 19 de novembro de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 19 (AE) - O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, suspendeu hoje a negociação com os assentados acampados em frente a fazenda Córrego da Ponte, do presidente Fernando Henrique Cardoso. Eles estão no local desde terça-feira e ameaçam ocupar a fazenda. A pressão é pela liberação de recursos para o plantio. Jungmann diz que há recursos para atender a reivindicação, mas retomará o diálogo somente depois que todos os agricultores deixarem o local.
O Ministério da Justiça abriu inquérito para apurar quais foram os agricultores envolvidos ontem (18) no saque a um caminhão da fazenda, carregado de sementes de soja e adubo. Jungmann apelou à oposição e a setores da Igreja aliados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra para que contenham a ação dos integrantes do movimento porque, segundo o ministro, o resultado poderá ser contra os interesses dos manifestantes. "Busquem conter para que não tenhamos em breve uma reação do próprio Congresso", pediu Jungmann, lembrando a existência de uma proposta em tramitação na Casa para impedir por cinco anos a vistoria para fins de reforma agrária de área ocupadas.
O ministro diz ter condições de resolver a pauta de reivindicações e que o governo mantém a disposição de negociar. Mas os assentados devem atender às regras e apresentar projetos conjuntos de custeio e de investimento. Só assim, a família assentada pode receber R$ 2 mil para a aquisição de sementes e adubos. "Todos os demais assentamentos estão mandando os dois projetos; porque, então, só tem problema lá?", questionou o ministro, para quem esses assentados resistem a discutir o plano de investimentos.
A apresentação vinculada dos projetos, segundo Jugmann, garantiria a aplicação de recursos com resultados mais seguros em termos de qualidade e aproveitamento do plantio. O crédito de investimento é de R$ 7,5 mil. Jungmann disse que não receberia a comissão de assentados que seguiu para Brasília. "Se permanecem lá (no acampamento), aqui não recebo", afirmou.
Abusiva - O ministro classificou de absurda e abusiva a pressão feita diante da fazenda do presidente da República e o saque do caminhão. "Não havia sequer o álibi de dizer que era para matar fome", comentou. "Nós flexibilizamos, mas ficou claro que isso serviu para exploração, para atingir a presidência", disse Jungmann, na presença do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, general Alberto Cardoso.
O general explicou que foram deslocados para defender a propriedade 12 a 15 policiais federais e uma tropa do Exército integrante do Batalhão da Guarda Presidencial. Segundo o ministro Cardoso, caso haja a ocupação da fazenda, a tropa pode conter a manifestação sem o uso de munição.
Decisão - O presidente da República em exercício, Marco Maciel, foi quem determinou o deslocamento dos 250 homens do Batalhão da Guarda Presidencial para a fazenda do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Buritis, Minas Gerais, diante das informações sobre o aumento do número de manifestantes em frente a fazenda e do risco de invasão.
O ministro da Defesa, Élcio álvares, informou que a decisão foi tomada depois de avaliação, em reunião no Palácio do Planalto, com a participação dos ministros da Justiça, José Carlos Dias, da Casa Civil, Pedro Parente, e do general Alberto Cardoso, além dele. Segundo o ministro da Defesa, o Exército só vai intervir se a Polícia Militar não conseguir Impedir a invasão. "Acredito que vai prevalecer o bom senso. Mas não podemos permitir a transgressão da lei", disse o ministro. álvares diz que o Exército está na fazenda para cumprir a sua missão constitucional "que é a garantia da lei e da ordem".
O ministro-chefe da Casa Civil classificou de "despropositada" a atitude do MST. "É um desafio à autoridade máxima do País eleita pelo povo, não podemos conviver com essse desafío à lei e à ordem."


