Rio, 19 (AE) - As meninas Jéssica Antunes e Luanda Xalerabadã, ambas de 12 anos, do Morro do Cantagalo, em Ipanema, zona sul do Rio, estão de malas prontas para embarcar para a Alemanha, onde estudarão na Escola de Balé do Estado de Berlim. Elas são alunas do projeto Dançar para não Dançar, criado pela bailarina Tereza Aguilar, ex-aluna da escola alemã, que conseguiu bolsas de um ano para elas. Hoje Jéssica e Luana fizeram o espetáculo de despedida no Morro Chapéu Mangueira, no Leme, também da zona sul.
O projeto Dançar para não Dançar tem cinco anos e 100 alunos, entre cinco e 17 anos. "É um trabalho social", ressalta Tereza que, até este ano, não tinha patrocínio, mas conseguiu ampliar suas aulas de balé do Cantagalo para a Mangueira, a Rocinha e Pavão-pavãozinho, outras favelas da cidade. Jéssica e Luanda são alunas desde o início, mas este ano entraram para a escola de balé do Teatro Municipal e agora dão mais um passo na carreira.
Apesar de meninas, as duas estão confiantes. "Ela resolveu fazer balé por conta própria e é muito dedicada", contava hoje orgulhoso João Carlos Antunes, pai de Jéssica. Ela não tem medo de sentir saudades. "Sei que vou me adaptar, mesmo não falando alemão, porque posso me comunicar por mímica", garantia a jovem bailarina, fã de Ana Botafogo e Cecília Kerche, bailarinas do Municipal.
Luanda já se sente uma estrela. Seu pai é Adão Xalerabadã, personagem do curta-metragem que o diretor Walter Salles Jr. fez para abrir o filme "O Primeiro Dia". Luanda aparece em uma cena, enquanto o pai canta. Foi Walter Salles Jr. que possibilitou a viagem das duas. No início do ano, elas passaram 15 dias na Alemanha, patrocinadas pela Lufthansa, e a escola de Berlim convidou-as para estudar mais um ano. Mas precisavam se manter e pagar as passagens. O diretor patrocinou a viagem, sem recorrer a leis de incentivo.
Tereza está otimista quanto ao futuro do Dançar para não Dançar. Ela conseguiu patrocínio de empresas como a Loterj, Petrobrás e Nestlé e já contratou dentista, assistente social e um médico para trabalhar com os futuros bailarinos, que recebem uma cesta básica. "Este ano vamos continuar com os cem alunos, mas em 2000 poderemos ter mais alunos e professores", afirma.

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