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sexta-feira, 19 de novembro de 1999
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 19 (AE) - Enquanto os médicos brasileiros resistem à prescrição de genéricos (medicamentos cujos princípios ativos são similares ou iguais aos das marcas comerciais e que podem ser vendidos mais baratos), os espanhóis serão premiados com cerca de US$ 3 mil por ano se resistirem a receitar menos medicamentos novos lançados todos os anos ao mercado.
Em ampla reportagem publicada hoje, o jornal "El País" informa que o Departamento de Saúde da Catalunha começou a implementar um programa piloto para homogeneizar a prescrição de medicamentos na área de saúde básica em 21 dos 211 ambulatórios ou áreas Básicas do Instituto Catalão de Saúde que incentive o cumprimento desses objetivos por meio de complementos salariais. Ao todo são cerca de 350 mil usários nesses 21 postos.
Se os médicos catalães cumprirem com o "pacto de prescrição" terão uma compensação salarial de 460 mil pesetas (cerca de US$ 3 mil) por ano. O pacto em relação aos medicamentos recém-lançados no mercado consiste em não receitar as novidades farmacêuticas deste ano, por exemplo, e em não incrementar o uso de fármacos que tenham sido lançados ao mercado em 1996, 1997 e 1998. O pacto exige também que os médicos prescrevam como mínimo 5% de genéricos.
De acordo com o "El País", o governo espanhol gasta cerca de 1 trilhão de pesetas (aproximadamente US$ 6,3 bilhões) em medicamentos na área de saúde pública. E, segundo dados recentes do próprio governo, essa despesa teria aumentado em 11 15% entre janeiro e outubro deste ano. Até agora, de acordo com o "El País", os planos de racionalização com gastos farmacêuticos incentivavam a redução de custos por meio de aprimoramento profissional e com maiores recursos para os centros de saúde.
O Sindicato dos Médicos da Catalunha, ouvido pelo "El País", sustenta que as diretrizes do "pacto de prescrição" discriminam os usuários ao exclui-los das novidades terapêuticas
e afetam a liberdade de prescrição dos médicos. O sindicato adverte que nas novidades farmacológicas figuram medicamentos com avanços tecnológicos em relação aos disponíveis no mercado por serem mais efetivos, porque têm efeitos colaterais, ou porque representam um maior conforto para o doente.
O sindicato considera ainda que os pacientes dos 21 ambulatórios que fazem parte do programa são vítimas de uma "farsa", já que "não terão a garantia de receber a prescrição certa e de um medicamento melhor, mas de um dos que figuram na lista pactada, para que o médico possa cobrar o incentivo".


