Maceió, 19 (AE) - A coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ameaça fazer novos saques a depósitos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), caso a superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Alagoas mantenha a proposta de suspender a distribuição de cestas básicas para os assentamentos. "Estamos cansados de esperar pela entrega dos alimento, se a fome apertar vamos fazer novos saques", afirmou Marcos Antonio da Silva (o "Marron"), da direção estadual do MST.
De acordo com outro dirigente estadual do MST, Renan Luiz, a decisão de fazer saques foi tomada depois que o superintendente do Incra em Alagoas, Ricardo Vitório, anunciou que iria entregar as 2.500 cestas básicas do MST ao Programa de Combate à Seca. Seria em resposta ao saque de 20 toneladas de alimento, feita por 500 sem-terra, no início da semana, no armazém da Conab em Palmeira dos Índios, a 137 quilômetros de Maceió.
Temendo novos saques, o superintendente do Incra, Ricardo Vitório, marcou para segunda-feira (22), às 10 horas, uma reunião com as lideranças do MST para solucionar o impasse. "Estamos tomando providências junto ao governo federal para repor o estoque de alimentos que foi saqueado, mas precisamos da garantia do MST de que novos saques não irão ocorrer, só assim repassaremos as cestas básicas a eles", afirmou Vitório.
Na reunião com o Incra, o MST vai pedir que aumente a quantidade de cestas básicas destinadas aos sem-terra de Alagoas. "Estamos recebendo em torno de 2.000 cestas básicas, mesmo assim com atraso. Queremos que o Incra aumente a quantidade para 7.200", afirmou Renan.
Invasão - Segundo Renan, hoje cerca de 200 famílias de trabalhadores invadiram uma fazenda de 5 mil hectares, no sertão alagoano. "Ainda não temos detalhes dessa ocupação, porque estamos com nossos telefones cortados", disse.

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