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sexta-feira, 19 de novembro de 1999
Por Biaggio Talento 
Salvador, 19 (AE) - Os índios pataxós hã hã hãe reocuparam hoje à tarde 13 fazendas em Pau Brasil, a 550 quilômetros de Salvador. Eles haviam deixado 13 das 14 fazendas, cujas terras reivindicam, temendo represálias por causa do assassinato de dois policiais militares na quarta-feira à noite. A presença do presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Carlos Frederico Marés, e da subprocuradora da República Rachel Dodge na aldeia Caramuru-Catarina Paraguaçu não foi suficiente para diminuir a tensão entre policiais, agricultores e policiais militares.
Hoje, pela primeira vez, lideranças pataxós negaram ter matado os policiais. Segundo eles, a emboscada teria sido executada por pistoleiros contratados pelos fazendeiros.
Expulsos pelos índios das fazendas, cerca de 250 fazendeiros e colonos permaneciam acampados na cidade de Pau Brasil, esperando uma solução para o impasse e aumentando o clima de intranquilidade. Eles ameaçam retomar as terras à força
se os pataxó não desocuparem a área como quer a Funai, que tenta convencer os índios a esperar uma decisão judicial para o caso.
O vice-presidente do Sindicato Rural de Pau Brasil, Marcos Vinícios Guimarães, confirmou que os pataxós chegaram a sair das terras, mas quando os colonos iniciaram o retorno às suas casas, no início da tarde, encontraram novamente os índios ocupando as casas e as terras. "Há uma revolta muito grande entre os colonos, trabalhadores rurais e moradores de Pau Brasil
pois, até o momento, as autoridades só estão se preocupando com os índios", disse Guimarães, informando que os colonos querem as terras de volta ou "no mínimo" indenização.
Os cerca de 300 policiais militares enviados pelo governador César Borges(PFL) para a região, depois da emboscada que resultou na morte de dois soldados, permaneciam na cidade de Pau Brasil. Eles não conseguiram encontrar armas com os índios e tampouco identificaram os autores dos assassinatos. Prenderam 13 pataxós por terem matado bezerros das fazendas para alimentar os 1.200 indios que ocuparam as terras.
Segundo Guimarães, um funcionário do escritório da Funai de Pau Brasil, conhecido apenas como Wilson, teria induzido os oficiais da PM a enviar o grupo de soldado supostamente atacado pelos índios. "Ele chegou aqui garantindo ao coronel Gilberto Santana, que a estrada estava livre e não havia qualquer perigo para os soldados passarem pela área onde ocorreu a emboscada", disse, informando que15 pessoas ouviram as declarações.O funcionário da Funai desapareceu depois do episódio e estava sendo procurado.


