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sexta-feira, 19 de novembro de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 19 (AE) - Os promotores do Grupo de Atuação Especial de Contra o Crime Organizado (Gaeco) apreenderam cerca de 20% do arquivo de mais de 2 milhões de documentos que foram atingidos pelo incêndio que destruiu parte o depósito em que eles guardados no Departamento Estadual de Trânsito (Detran). "Nosso objetivo foi resguardar esse material e facilitar nossas investigações", disse o promotor José Carlos Guillen Blat.
A documentação estava ainda no mesmo local destruído pelo fogo e sob a guarda de homens do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) desde ontem à noite. O material encheu um caminhão e duas picapes e foi levado para a sede do Departamento de Identificação e Registros Diversos (Dird), no Butantã.
Foram necessárias 30 pessoas e três horas de trabalho para carregar todos os documentos, muitos deles encharcados e chamuscados pelas chamas.
De acordo com os promotores, os documentos poderão ser uma forma de identificar funcionários envolvidos no esquema de corrupção e de demonstrar a existência do esquema. "Veio tudo o que sobrou no depósito incendiado", disse o promotor Roberto Porto.
De acordo com Blat, a investigação do esquema está apenas no começo. "Ela será complexa, pois o esquema é fechado", afirmou. Segundo ele, o Ministério Público vai verificar a existência de firma reconhecida nos documentos, as autentificações das guias de recolhimento de taxas e se elas pertencem realmente aos certificados de registros de carros aos quais estão anexados.
Cada prontuário de um veículo trás a identificação do despachante que fez no serviço, o nome do funcionário do Detran que conferiu as informações e as guias de recolhimento de taxas. Segundo Blat, a Procuradoria Geral de Justiça está estudando se designa ou não mais promotores para auxiliar nas investigações do Gaeco.


