São Paulo, 19 (AE) - A Duke Energy, controladora da empresa de geração de energia elétrica Paranapanema, anunciou que quer comprar o total das ações em mãos dos minoritários. A empresa tem hoje 43,67% do capital total da Paranapanema e se está oferecendo para comprar os 56,33% restantes. A Paranapanema
originada de cisão da Cesp, foi privatizada em 28 de julho.
A Duke vai oferecer R$ 11,31 por lote de mil ações preferenciais e R$ 8,89 por lote de mil ações ordinárias. Os minoritários que decidirem vender suas ações receberão 25% a mais que a cotação das ações no pregão de quinta-feira e 36% acima da média dos últimos 20 dias.
"É um preço razoável", disse o analista do banco Pactual, Marcelo Monteiro. O mercado reagiu bem. As ações ordinárias subiram 6,3% e as preferenciais, 16,7% no pregão de ontem da Bovespa. O volume de negócios cresceu.
Embora o preço da oferta seja vantajoso em relação à cotação nas bolsas (antes do anúncio, as preferenciais estavam a R$ 9,00), para a empresa americana a compra sairá barata. No leilão de privatização, em julho, a Duke Energy pagou R$ 34,20 por lote de mil ordinárias. Ou seja: agora está comprando o total do capital da empresa por um terço do preço do leilão.
"Já esperávamos a oferta porque a Duke disputou a privatização da geradora Tietê e perdeu", diz Monteiro, do Pactual. Portanto, a empresa tem folga de caixa.
No fato relevante que publicou, a Duke Energy informa que não vai fechar o capital da Cesp Paranapanema. Pela legislação, é obrigatório que as empresas privatizadas continuem com o capital aberto durante a concessão - ou seja, por 30 anos. Por isso, a Duke nem poderia tentar fechar o capital.
Fechamento branco - Na prática, entretanto, se a maior parte dos acionistas aceitar a oferta, a liquidez das ações da Paranapanema vai cair muito em bolsa, e a empresa terá capital aberto para divulgação de informações, mas não grande volume de negócios no mercado.
A oferta ainda precisa ser aprovada pela CVM, que analisará os preços e prazos propostos pela Duke para a compra de ações. Operações como a da Duke se vem tornando comuns entre multinacionais que compram empresas brasileiras.

mockup