São Paulo, 19 (AE) - A cesta básica bateu mais um recorde hoje. Com a alta de 0,32% em relação ao dia anterior, os produtos passaram a custar R$ 134,12, acumulando alta de 2,73% este mês. Desde o início do ano, o aumento é de 10%, passando para 12,38% num período de 12 meses, o que elimina os argumentos de que a alta é sazonal, por causa da entressafra. A cesta é pesquisada pelo Procon e Dieese em 70 supermercados da capital.
A alta em novembro é puxada pelos alimentos, que têm o maior peso da cesta e subiram 3,15% desde o início do mês. Os produtos de higiene aumentaram 1,53% e os de limpeza subiram 0 77%. Os itens que tiveram os maiores aumentos em novembro foram a cebola (17,07%), o frango resfriado (10,7%) e a salsicha avulsa (9,79%). Dos 31 itens, apenas seis estão com variação negativa este mês.
"O que subiu ontem não é o mesmo que subiu anteontem, o que indica uma alta geral dos preços", diz a diretor de Estudos e Pesquisas do Procon, Vera Marta Junqueira. No acumulado do ano
os alimentos subiram 8,13%, os produtos de limpeza, 18,51% e os de higiene, 17,08%.
Além de estar se generalizando, Vera acha que os aumentos têm sido mais sentidos atualmente porque o consumidor já está com o orçamento apertado. Desde o início do Plano Real, em julho de 94, a alta acumulada é de 26,05%. A arma do consumidor, lembra ela, é não comprar o produto, trocando de marca ou mesmo de loja. "O comportamento do consumidor é muito importante nessa hora", diz. A pesquisa mostra também uma variação grande de preços entre as lojas. Se cada item fosse comprado sempre pelo menor preço, a cesta custaria R$ 97,52. Comprada pelo maior preço da pesquisa, o preço aumenta 91% e passa para R$ 186,42.
O pó de café já aumentou 2,61% este mês, mas a variação pode chegar a até 35%, de acordo como torrefadores, que reclamam de uma alta de 48% no preço do café verde nos últimos 40 dias. A Associação Brasileira das Indústrias de Café (Abic) está pedindo ao governo o leilão de parte do estoque público, de 8 milhões de sacas.

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