São Paulo, 19 (AE) - Grandes redes de varejo de bens duráveis e confecções, exceto artigos de vestuário, programaram reajuste de preços neste trimestre para aproveitar a maior predisposição do consumidor para compras, por causa do fim de ano. Neste Natal, o cheque pré-datado e o crediário tradicional serão as opções preferidas de pagamento do paulistano.
Essas são as principais conclusões de duas pesquisas, uma com 13 empresários do varejo e outra com 400 consumidores paulistanos, para avaliar as expectativas do comércio neste último trimestre. As pesquisas foram feitas pelo Programa de Administração de Varejo da Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (Provar-FIA-USP) nas últimas semanas.
De oito segmentos pesquisados - linha branca, móveis, eletroeletrônicos, material de construção, automóveis, informática, foto e ótica, cama, mesa e banho -, dois (automóveis, cama, mesa e banho) vão reduzir preços neste trimestre na comparação com o período imediatamente anterior. Nos demais, a intenção é de aumentar as cotações entre outubro e dezembro para tentar captar parte do maior volume de dinheiro que normalmente circula na economia nesta época do ano.
O maior reajuste médio declarado pelos empresários deve ocorrer nos eletroeletrônicos e materiais de construção, de 4,6% em cada um dos segmentos. Na vice-liderança da classificação dos aumentos estão produtos de foto e ótica, com alta de 3,2%.
Para baixo - Nos móveis, a intenção é reajustar preços em 3%. Os aumentos programados para os preços de artigos de informática e linha branca são de 1,8% e de 1,25%, respectivamente, informa a pesquisa.
Um dado curioso é que os empresários que declararam a intenção de aumentar preços informaram que vão reduzi-los no primeiro trimestre do ano que vem. Dos oito segmentos pesquisados, só os revendedores de materiais de construção não têm essa intenção.
A maior redução no ano 2000, de acordo com a pesquisa, deve ocorrer na linha branca (-8,3% em média), seguida pelos móveis (-5%), eletroeletrônicos (-4%) e artigos de informática (-3%).
"Em janeiro, os preços serão reduzidos porque as vendas são mais fracas e ocorrem as liquidações", diz um dos coordenadores da pesquisa, João Paulo Siqueira. De acordo com as informações fornecidas pelos lojistas, o consumidor que adiar as compras para o início do ano que vem poderá fazer bons negócios.
Crediário - O lojista que quiser ter bons resultados neste Natal deve intensificar as ofertas de crédito, especialmente da venda parcelada no cheque pré-datado. De acordo com a pesquisa do Provar, 26,5% dos consumidores estão dispostos usar o cheque pré-datado no fim de ano e 25,1% pretendem assumir um crediário tradicional.
Isso mostra, na análise de Siqueira, que o consumidor não está levando em conta os juros ainda muito elevados cobrados no crediário, apesar do recente pacote editado pelo governo para reduzir os encargos financeiros.
O pagamento à vista e com cartão de crédito são opções menos cogitadas pelos consumidores de bens duráveis e confecções
exceto artigos de vestuário. A enquete mostra que 19,7% dos entrevistados, em média, declararam que pretendem quitar a fatura no ato da compra e 20,1% planejam usar o cartão de crédito.

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