São Paulo, 19 (AE) - Empresários apostam num erro do governo para elevar preços no fim do ano. Estão de olho no 13º salário e nos acertos salariais, mais gordos neste ano, para empurrar preços maiores ao consumidor. Mas não haverá demanda suficiente para suportar os aumentos, segundo o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo. É a mesma opinião do deputado e economista Antônio Delfim Netto. Logo, concluem, aumentar os juros seria a resposta errada. O certo, diz Amadeo, é o Banco Cental continuar intervindo no câmbio, uma das fontes de pressão. As outras são a entressafra, piorada pela seca, o abuso do preço do álcool e o fim do acordo com o setor automobilístico, fatores tendentes a esgotar-se.
O IBGE parece justificar essa opinião: a massa de rendimentos dos ocupados diminuiu 3,4% nos 12 meses até agosto. A LCA Consultores projeta para o fim do ano uma redução acumulada de 4,7% em 12 meses. Mas admite algum estímulo resultante do 13.º salário e da melhora do crédito ao consumidor
com maior endividamento das famílias. Apesar de tudo, a procura tem sido suficiente para permitir a alta dos preços ao consumidor, concentrada, mas nem tanto. A última apuração da Fipe mostra aumentos incomuns em alimentos, artigos de limpeza e aparelhos de imagem e som, além do encarecimento dos combustíveis. A cesta básica de alimentos e artigos de higiene e limpeza, com preços pesquisados pelo Dieese
encareceu 3,18% em 30 dias. Esses dados também parecem alentar a esperança de quem anuncia aumentos para o fim do ano - 8 de 20 setores pesquisados pela Fundação Getúlio Vargas. Algum repasse, portanto, foi imposto ao varejo e novas tentativas virão por aí. Se afetarem as expectativas, o governo poderá enfrentar problemas ainda fora de sua agenda. Então, talvez seja preciso mexer nos juros, para tirar munição das empresas e repetir o lembrete: seria possível ganhar dinheiro vendendo mais, no Natal
sem aumentar preços.

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