São Paulo, 19 (AE) - A saída da Odebrecht do Pólo Petroquímico do Nordeste, em Camaçari (BA), foi estratégica por causa do dívida de cerca de US$ 1 bilhão da Trikem. Mas o gupo continuará investindo pesado no setor. Ele espera a autorização do Conselho Administrativo da Defesa da Economia para poder deslanchar o Pólo Petroquímico de São Paulo, com o Grupo Ultra e a Petrobras, em Paulínia (SP), e expandir sua atuação no Pólo Petroquímico do Sul, o Copesul, onde recentemente foi inaugurada uma fábrica de US$ 180 milhões.
As informações são de executivos da Odebrecht envolvidos em seu plano estratégico para a área petroquímica. Eles consideraram difícil a decisão de vender a participação da empresa, em Camaçari (BA). "Mas isso está sendo feito de forma tranquila, já que existe tempo para se vender bem as companhias". Para um executivo de São Paulo, os preços dos produtos fabricados pela empresa estão em alta no mercado internacional, isso possibilita uma elevação no faturamento e na geração de caixa necessários para fazer frente às dívidas."
Os executivos da Odebrecht receberam com entusiasmo a informação do presidente da Dow Química de que há interesse em comprar empresas à venda no Pólo Camaçari (BA), a partir do ano 2000. A Dow Química tem o Pólo de Aratu. Há outros interessados que estariam fazendo contatos e sondando sobre a possibilidade de comprar as empresas isoladamente. Como a venda será em bloco, isso é possível. Essa reformulação no setor petroquímico vai acontecer sem o patrocínio imediato do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social, porque a fusão não será como o banco havia planejado.
Há também o fato de que a auditoria completa do Banco de Investimento Americano Dillon Reed nas companhias dos Grupos Mariani e do ex-Econômico, hoje controladas pelo Banco Central, estejam encerradas em 31 de dezembro. O que permitirá que esta venda só ocorra possivelmente no fim de fevereiro ou em março de 2000.
As decisões do Grupo Odebrecht são diferentes as do Grupo Mariani, que quer sair do setor petroquímico. Os Mariani pretendem se dedicar inteiramente ao setor financeiro, origem do Grupo. Quanto às empresas químicas da Companhia de Participações do Nordeste (Conepar), controladas pelo Banco Central por causa da intervenção e liquidação do ex-Banco Econômico, analistas do setor reclamam que uma decisão como a de agora demorou muito. O BC vai pegar o dinheiro da venda para ressarcir o investido no ex-Econômico.

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