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sexta-feira, 19 de novembro de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 19 (AE) - A plataforma Petrobras-36 (P-36), a maior do mundo do tipo semi-submersível, chegou hoje ao Rio cercada por uma polêmica entre a Marítima, empresa contratada para realizar o projeto, e a Petrobras. A direção da Marítima não foi convidada para a cerimônia oficial de entrega do equipamento, na Baía de Guanabara.
O presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, também não irá à solenidade marcada para segunda-feira, pela Marítima, para "apresentação" da plataforma, no Estaleiro Mauá
que recentemente firmou sociedade com a prestadora de serviços. Mais do que discordâncias em torno do trâmite do projeto, a divergência envolve cifras que acompanham o gigantismo da P-36. "Temos discussões empresariais com a Marítima", admite Reichstul.
A plataforma foi projetada a partir da unidade de perfuração "Spirit of Columbus", construída na Itália em 94 e propriedade da Marítima. Em 97, foi afretada pela Braspetro, subsidiária da Petrobras, com opção de compra depois de 12 anos. Para transformá-la numa plataforma de produção para o campo de Marlim Sul, a Marítima firmou contrato de US$ 354 milhões com a Petrobras.
A estatal decidiu, depois, utilizar a unidade no campo gigante de Roncador, que fica numa área mais profunda da Bacia de Campos. Para isso, foi necessária outra reforma e um custo adicional de cerca de US$ 70 milhões. A Marítima não conseguiu financiamento para continuar a obra, que estava sendo feita no estaleiro Davie, em Quebec, no Canadá, que entrou em concordata.
Em maio, a Petrobras declarou intervenção na obra e passou a fazer diretamente o pagamento aos prestadores de serviços responsáveis pela obra. Daquela época até agora, a companhia já desembolsou cerca de US$ 45 milhões. A diferença está sendo negociada, como também a quem os recursos serão repassados. "Depende de quem é o saldo credor", desconversa o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, José Coutinho Barbosa.
A P-36 ainda sofrerá alguns reparos até ser levada para a Bacia de Campos. A Marítima informa que o serviço será feito no Estaleiro Mauá, com o qual tem sociedade. A Petrobras diz que ainda não está decidido o local. A partir de 200, a P-36, que pesa 32.400 toneladas e tem a altura de um prédio de 40 andares, vai entrar em operação no Campo de Roncador. Em 2003, estará em seu pico de produção, sendo responsável, sozinha, pela extração diária de 180 mil barris de petróleo por dia, 15% do total nacional.


