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sexta-feira, 19 de novembro de 1999
Por Felipe Werneck 
Rio, 19 (AE) - O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, disse hoje que a gasolina "não é cara" no País. Segundo ele, o combustível aumentou "muito mais" nos EUA que no Brasil. "Não dá para dizer que tem que aumentar o preço do petróleo, mas o que dá para dizer, evidentemente, é que o petróleo a US$ 26 (o barril) é uma mau negócio para o País", afirmou.
"Não vão dizer que estou propondo o aumento do preço do petróleo, como já aconteceu", ressalvou Zylbersztajn. A decisão de aumentar o valor do combustível depende do equilíbrio macroeconômico do País, uma atribuição da área econômica do governo, lembrou o diretor da ANP, que é genro do presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele participou hoje de seminário sobre a regulamentação da coleta de óleos lubrificantes usados.
Consumidores - Ao ser questionado sobre o impacto de um eventual aumento no bolso dos consumidores, o diretor da ANP disse que não há como comparar "o poder aquisitivo de quem tem carro com o de quem compra feijão no mercado". Ele lembrou que o automóvel mais barato no País custa R$ 18 mil. "Não vamos misturar alhos como bugalhos", pediu. Para Zylbersztajn, um preço mais alto tornaria possível investimentos em formas alternativas de energia e de transporte, como hidrovias.
O diretor-geral da ANP, que acaba de voltar de uma apresentação nos EUA e no Japão sobre a Segunda Rodada de Licitação de áreas de Petróleo e Gás, disse também acreditar na queda do preço do barril. "O preço do petróleo está alto e daqui até maio é uma incógnita, mas acho que não se sustenta nesse patamar que está e cai", afirmou.
Petrobras - Para embasar sua opinião, Zylbersztjan citou a possibilidade de liberação dos estoques do combustível e o fato de a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) "não ser mais um cartel organizado". "O preço é efetivamente uma gangorra, mas acho que tende a estabilizar e a cair", disse. "Mas acredito também que existe um jogo forte das grande companhias de petróleo, que ganham muito dinheiro como isso, como a Petrobras."


