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sexta-feira, 19 de novembro de 1999
Por Mônica Ciarelli 
Rio, 19 (AE) - O presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, afirmou hoje que vai intervir no câmbio sempre que houver ameaça de uma disparada da inflação. O aviso de Fraga veio minutos antes do BC voltar a vender dólares ao mercado para forçar a queda da cotação da moeda americana. "Se houver deficiência, temos condições de suprir", disse.
Desde o final do mês passado o BC tem impedido uma alta mais forte da taxa de câmbio no mercado. "O Banco Central tem visão de que este final de ano é atípico", afirmou. Ele lembrou que questões climáticas têm pressionado a inflação, principalmente os produtos agrícolas, mas admitiu que o câmbio também contribuiu para a alta dos índices de preços. "A pressão no câmbio já se reverteu, foi uma coisa temporária", argumentou Fraga, após um almoço com o prefeito do Rio de Janeiro, Luiz Paulo Conde.
Segundo o presidente do BC, os produtos que foram mais prejudicados pelo frio tendem a baixar de preço quando a temperatura esquentar. "Eu sou carioca e em novembro nunca procurei um cobertor", brincou. "Isso é algo que não vai se perpertuar". Embora tenha demonstrado que o BC será firme na hora de conter a alta do dólar, o presidente não quis comentar uma possível elevação dos juros para conter a escalada da inflação. Na quarta-feira, os rumores de uma reunião extraordinária do Comitê de Política Monetária (Copom) fizeram estragos no mercado financeiro e obrigaram a autoridade monetária a intervir no câmbio. Sobre a questão, ele se limitou a afirmar apenas que o " Banco Central fala através da mesa de operações e do Copom (Comitê de Política Monetária)."
Risco Brasil - O presidente do Banco Central considerou "estranho" o resultado da pesquisa da revista "The Economist", que apontou o Brasil como o quinto país de maior risco no mundo. Armínio Fraga disse não entender como a pesquisa chegou a essa conclusão e informou que o governo está analisando os critérios usados pela revista para classificar o Brasil. "Quero entender para poder explicar que não é bem assim", declarou. "Quem conhece o Brasil sabe que as coisas vêm evoluindo favoravelmente e o risco vem diminuindo." Na lista de 93 países, o Brasil ficou atrás apenas da Rússia, Indonésia, Paquistão e Romênia.


