Belo Horizonte, 18 (AE) - O governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), provocou uma crise hoje entre o governo e o Ministério Público, parlamentares e até integrantes de sua base de apoio ao nomear o novo procurador-geral do Estado. Itamar recebeu uma lista tríplice com os candidatos mais votados pelos promotores e procuradores do Ministério Público estadual. Tradicionalmente, o governador escolhe o que teve o maior número de indicações - no caso, seria Bertoldo Mateus de Oliveira Filho
com 365 votos. Mas Itamar nomeou o terceiro colocado, Márcio Decat (241 votos), ligado ao vice-governador Newton Cardoso (PMDB).
Segundo o deputado estadual Durval ¶ngelo (PT), um dos principais aliados de Itamar na Assembléia Legislativa e desafeto de Newton Cardoso, a escolha foi feita por uma pressão do comando da Polícia Militar junto ao governador. Márcio Decat, ao contrário dos outros candidatos - o segundo na votação foi Jacson Campomizzi, com 320 votos, e considerado de "esquerda" - não teria, segundo o parlamentar, compromisso com a defesa dos direitos humanos. "O governador faz um discurso de esquerda para o FMI, para o FHC, e acaba tendo uma guinada de direita com essa noemação", disse Angelo.
Ele explicou que, caso Decat não fosse nomeado e a escolha recaísse sobre um candidato de esquerda, os comandantes da PM teriam ameçado iniciar uma "crise institucional, entre a polícia e o Ministério Público, entre a polícia e o governo". "O governador recuou lamentavelmente, e isso nos faz temer pela democracia e pela forma que a polícia intervém no processo democrático", afirmou. O deputado João Leite (PSDB), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia, também não poupou críticas ao governador. "Isso só mostra a incoerência do atual governo estadual, adotando uma ação anti-democrática e desrespeitando o Ministério Público", disse.
O primeiro colocado na votação de promotores e procuradores, Bertoldo Filho, admitiu que Itamar tem a prerrogativa constitucional de escolher qualquer um da lista. Lembrou, no entanto, que tradicionalmente, em Minas, isso não vinha acontecendo". "Há oito anos o mais votado era o escolhido, mas
desta vez, o governador desmente seu perfil de democrata e nomeia aquele que teve uma votação insignificante, atendendo a critérios políticos", disse.
Filho liderou uma manifestação com dezenas de promotores, hoje à tarde, no Fórum Lafayette, centro de Belo Horizonte. "O Ministério Público não vai se vergar", ressaltou.
Defesa - No Palácio da Liberdade, a informação era de que Itamar tinha, simplesmente, exercido o direito constitucional de nomear, entre os três da lista, o novo procurador-geral - em substituição a Epaminondas Fulgêncio, ligado ao ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB).
Já o escolhido Márcio Decat disse que as reações à sua indicação foram reflexo, ainda, da acirrada disputa no processo eleitoral. "Ao contrário dos outros dois candidatos, minha postura foi de independência, de me preocupar mais com os problemas externos que com os internos do Ministério Público", afirmou.

mockup