Brasília, 18 (AE) - O delegado da Polícia Federal que prendeu Giuseppe Bizzarro no Brasil, em 1983, Roberto Precioso Júnior, defendeu hoje investigação conjunta dos órgãos de inteligência do governo sobre o enriquecimento do empresário italiano. Precioso disse que pelas leis do Colarinho Branco e de Lavagem de Dinheiro é possível investigar a vida de pessoas que enriquecem rapidamente pela chamada inversão do "ônus da prova", ou seja, é o suposto criminoso que tem de provar que a origem de seus bens não está associada com o crime.
Segundo ele, os órgãos do governo podem realizar uma operação conjunta para rastrear todo o patrimônio e a riqueza do empresário, que ao ser preso no Brasil, ao lado do mafioso italiano Tommaso Buscetta, passava a imagem de ser um "garotão". Precioso disse que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Fazenda pode coordenar as investigações sobre o empresário, que diz importar US$ 20 milhões em mercadorias por mês.
O delegado preferiu não emitir juízo de valor. Afirmou apenas que o enriquecimento aparente em um espaço de tempo em que poucas pessoas levantam tanta fortuna levanta "indícios" que precisam ser melhor apurados, principalmente em se tratando de uma pessoa que utilizava nomes falsos no Brasil.
Giuseppe Bizzarro, antes de adquirir o grupo Dreams, que tem lojas espalhadas em todo o País, se utilizava dos nomes de "José Carlos Fattori Lanza" e "Giuseppe Desio". Chegou a ser processado por falsidade ideológica no Brasil, mas dia 3 de maio deste ano a 2ª. Vara Federal Criminal de São Paulo decretou a extinção da punibilidade por prescrição. O mesmo processo foi instaurado contra os mafiosos Tommaso Buscetta e Leonardo Badalamenti.
Na terça-feira, o secretário Nacional Antidrogas, Walter Maierovitch, sugeriu à CPI do Narcotráfico profundas investigações sobre Giuseppe Bizzarro, por entender que o empresário tem "laços" com a máfia italiana. Bizzaro foi extraditado do Brasil em 1983 e retornou ao Brasil absolvido dos processo na Itália.
Segundo documento da Senad, investigações sobre tráfico de drogas entre Brasil e Itália, realizadas em 1984, constataram "íntimo relacionamento" de Bizzarro com Michele Zazá, da Camorra, que morreu recentemente em Nápoles, e outras pessoas ligadas ao crime organizado, como Giulio di Dio, Nicolo Rizzuto, Nunzio Guido, Giovanni Lo Cocco e Alfredo Bono. Segundo a Senad, Bizzarro mantinha "vínculos" com Bernanrdo Brusca, condenado à prisão perpétua.
Bizzarro teria ligações também com Pasquale Cuntrera, condenado por tráfico internacional de drogas, segundo a Senad. O dossiê que Maierovitch entregou à CPI do Narcotráfico aponta ainda a ligação de Bizzarro com o traficante italiano Antonio Bardellino, dado como morto. A polícia italiana suspeita que Bardellino teria realizado cirurgia plástica e que estaria vivendo em Búzios (RJ), "estando a lavar dinheiro de drogas na construção e exploração de hotéis".
Bizzarro não foi encontrado hoje à noite no Rio para falar sobre o assunto. A ligação para um de seus celulares caiu na secretária eletrônica e em outro número a pessoa que atendeu disse que ele não estava.

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