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quinta-feira, 18 de novembro de 1999
Por César Felício e Ariel Palacios 
Brasília, 18 (AE) - O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, conclamou hoje todos os partidos de oposição a encerrarem o debate sobre a sucessão presidencial em 2002. Lula reclamou das especulações sobre as candidaturas presidenciais de Anthony Garotinho, pelo PDT, do governador Itamar Franco (PMDB), caso este vá para o PSB, dos deputados José Genoíno (SP) e Aloízio Mercadante (SP), do senador Eduardo Suplicy (SP) , do governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, e do ex-governador do Distrito Federal Cristovam Buarque, dentro do próprio PT.
"Se começarmos agora a discutir candidaturas nossas propostas serão letra morta", disse Lula.Três vezes derrotado em eleições presidenciais, ele foi o orador final do encontro de dirigentes dos partidos de esquerda que lançou um manifesto ao País. De acordo com Lula, "o manifesto vai ser um instrumento balizador dos partidos para unificar o discurso da oposição para fazer alianças políticas".
Lula é esperado amanhã (20) em Buenos Aires onde deve reunir-se com sindicalistas argentinos e participar do "Encontro pelo Novo Pensamento", do qual será o principal orador. O encontro está sendo organizado pela Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA), que possui estrutura peculiar: é composta básicamente por funcionários públicos, além de reunir associações de aposentados e também de desempregados.
Além dele participarão do ciclo de conferências deputados socialistas e "verdes" da França e Alemanha. Seu retorno ao Brasil está previsto para a manhã de sábado.
Radical na retórica nacionalista, o manifesto afirma que a adesão a um mundo sem fronteiras é o início "da destruição da nacionalidade". O texto diz que a proposta da criação de uma área de Livre Comércio das Américas (Alca), feita pelos Estados Unidos, "uma vez efetivada, incorporará ao território dos EUA os territórios dos 33 países das Américas, absorvendo a economia
a política, a autonomia, a independência e a cultura de nossos países".
O manifesto lança um programa mínimo de bases moderadas e sem novidades em relação ao que Lula pregou em sua última candidatura a presidente, em 1998. Pede a "denúncia dos acordos com o FMI", mas descarta a moratória externa, pregando "uma renegociação soberana das dívidas interna e externa". Defende uma auditoria nos processos de privatização, mas não cita uma possível onda de reestatização, afirmando apenas que "a partir dos resultados (das auditorias), haveria a adoção das medidas cabíveis que assegurem a soberania nacional".
O texto reuniu 115 assinaturas, das alas mais radicais da oposição aos mais moderados. Assinaram o documento tanto o governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PDT), como o deputado Milton Temer (PT-RJ), que prega o rompimento da legenda com o governador fluminense. Intelectuais como Luís Fernando Veríssimo, Celso Furtado e Ariano Suassuna assinam ao lado do ex-jogador de futebol Sócrates e os atores Sérgio Mamberti e Gianfrancesco Guarnieri.


