Roma, 18 (AE) - Em discurso hoje na 30ª sessão da conferência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o presidente Fernando Henrique Cardoso fez duras críticas ao protecionismo comercial dos países desenvolvidos, que resistem a abrir os seus mercados agrícolas e de produtos manufaturados. Fernando Henrique condenou também o que chamou de "irracionalidade dos mercados" e disse que "é ilusório" pensar em estratégias duradouras de transformação social que não contemplem reivindicações no plano externo.
"O Brasil não pode continuar a ser privado de recursos indispensáveis ao bem-estar de seu povo pela irracionalidade dos mercados", afirmou. "Tampouco aceitamos que nos continue a ser vedado o acesso a mercados agrícolas e de produtos manufaturados", acrescentou. Fernando Henrique disse que o País "sente-se credenciado a reclamar que se diluam os redutos autárquicos, protecionistas, sobretudo aqueles que se parecem afirmar nos países de maior poder relativo".
O presidente afirmou que "é com essa perspectiva" que o governo brasileiro vai participar da Rodada do Milênio, que começará no fim deste mês em Seattle, nos Estados Unidos.
Fernando Henrique disse, em seu discurso, que a sociedade brasileira não aceita mais conviver com a miséria de milhões de brasileiros. Ele estimou que cerca de 30 milhões brasileiros ainda podem ser considerados como indigentes. "Um número inaceitável", afirmou. Segundo ele, a sociedade "exige a tradução em políticas concretas desse sentimento de indignação, um sentimento que se estende por todo o País, sobrepondo-se à filiação partidária ou ideológica".
O presidente também lembrou a luta contra a pobreza feita pelo falecido sociólogo Herbert de Souza, o Betinho.

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