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quinta-feira, 18 de novembro de 1999
Por Gilse Guedes 
Brasília, 18 (AE) - A Polícia Militar do Rio de Janeiro é a instituição policial do País que comprou o maior volume de cartuchos calibre 5.56 para fuzil, tipo de munição produzida pela Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) e desviada de uma instituição da polícia para o reduto do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. De acordo com uma relação detalhada de venda da CBC de 1995 a 1999 entregue ontem (17) à Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, a PM adquiriu de 1995 a 1998 1,03 milhão de balas calibre 5.56 e a Polícia Civil 201 mil, parte dos quais do lote 178.
Balas desse lote foram recolhidas em operações da polícia em favelas do Rio, dentre elas a favela Beira-Mar, local controlado pelo traficante que está sendo investigado pela CPI do Narcotráfico e pelo Ministério Público do Rio por envolvimento com o tráfico internacional de drogas. Ao contrário do que foi divulgado anteriormente, a CBC vendeu esse tipo de munição não só para as polícias do Rio, São Paulo e Distrito Federal. As balas foram compradas, embora em volume inferior aos comercializados para o Rio, pelas polícias de mais nove Estados: Maranhão, Paraíba, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte, Amapá, Mato Grosso, Piauí, Ceará e Paraná.
De acordo com o documento da CBC, as polícias de São Paulo foram as que mais adquiriram esse tipo de munição, depois do Rio: 93 mil, dos quais 1 mil para o Departamento sobre Crimes contra o Patrimônio, 50 mil para a PM e 42 mil para a PC. Em terceiro lugar, está a PM do Maranhão, que comprou 20 mil cartuchos. As polícias de Mato Grosso adquiriram 13 mil, a PM do Rio Grande do Norte 11,5 mil, do Distrito Federal 8.920, do Paraná 6 mil cartuchos, da Paraíba 5 mil, a PM do Piauí 4.400, do Ceará 3 mil, Amapá 3 mil e Mato Grosso do Sul 300.
O presidente da CBC, Antônio Marcos Moraes Barros, reconheceu hoje que a empresa está impossibilitada de identificar os compradores do lote 178 dos cartuchos 5.56, porque somente agora foi criado pela companhia um sistema de controle de segurança para a comercialização das munições.
A partir dessa semana, a CBC criou uma identificação para cada venda de balas. Ela será feita por uma numeração específica para cada comprador e ficará registrada nos computadores da empresa. "Por causa desses desvios de munição das polícias, nós adotamos um método mais sofisticado."


