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quinta-feira, 18 de novembro de 1999
Por Roberta Jansen e Eliane Azevedo 
Rio, 18 (AE) - O presidente da Assembléia Legislativa do Espírito Santo, deputado José Carlos Gratz (PFL), pediu a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na casa, a ser instaurada na próxima terça-feira, para apurar o tráfico de drogas no Estado. Gratz, um ex-banqueiro de jogo do bicho assumido, será convocado a depor na CPI do Narcotráfico, em Brasília, por conta de uma série de denúncias que o ligam ao crime organizado no Espírito Santo. Ele já respondeu a inquéritos por contravenção, contrabando, homicídio e formação de quadrilha.
"Fui banqueiro de jogo de bicho de 1978 a 1989", disse Gratz. "Trata-se de uma profissão como outra qualquer, que emprega mais de um milhão de pessoas em todo o País." O deputado contou que deixou de ser banqueiro de bicho na época em que houve uma grande operação policial de repressão à contravenção, comandada pelo então governador do Estado Max Mauro, atualmente deputado federal pelo PTB. "Aproveitei que meu nome ficou bem badalado e me candidatei para combater essa hipocrisia", disse. "Desde então, não trabalho mais com o bicho." Ele é favorável à legalização do jogo.
De acordo com o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Nilmário Miranda (PT-MG), que entregou hoje à CPI do Narcotráfico um dossiê sobre o crime organizado no Espírito Santo, Gratz seria um dos cabeças do esquema no Estado. Para o procurador da República Ronaldo Albo, que investiga o assunto no Espírito Santo, a ligação entre o jogo do bicho e o narcotráfico é certa.
A opinião é partilhada pelo deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), integrante da CPI que pediu a convocação de Gratz.
O deputado negou todas as acusações que pesam sobre ele. "Esses caras são todos do PT, eu sou inimigo nacional do PT", afirmou. "Não tenho nada a ver com o tráfico de drogas." Gratz negou também envolvimento com a fraude no Super Bingão Real - um jogo de televisão que não pagava os prêmios corretamente. O deputado lembrou que não há provas materiais contra ele.
"A pedido de Magno Malta, que me enviou um ofício, estou instaurando uma CPI na Assembléia", disse. "Vamos trabalhar em conjunto com a CPI de Brasília." A CPI do Espírito Santo contará com sete deputados estaduais: dois do PFL, um do PSDB, um do PSB, um do PTB, um do PMN e um do PT.
O envolvimento de políticos, policiais, empresários e juízes com o crime organizado no Espírito Santo está sendo investigado pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal - e resultados iniciais devem ser apresentados à CPI em dezembro, quando está prevista uma visita dos parlamentares ao Estado.


