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quinta-feira, 18 de novembro de 1999
Por Hugo Marques 
Brasília, 18 (AE) - Relatório da Procuradoria-Geral de Justiça do Espírito Santo, que será enviado à CPI do Narcotráfico, é uma das pistas que ligam empresários e políticos do Estado ao Cartel de Cali, na Colômbia. No documento, preparado em julho deste ano, aparecem como "sócios" num bingo o empresário Francisco Marcelo de Souza Queiroga, que seria envolvido com o cartel, e o atual presidente da Assembléia Legislativa, José Carlos Gratz (PFL).
O relatório, assinado pelo promotor de Justiça Evaldo Martinelli, foi a base de sustentação de denúncia contra o Super Bingão Real, que pertence aos empresários João Amado Santos Godoi e Francisco Queiroga.
Na denúncia, por sonegação fiscal e estelionato, há reprodução de depoimentos numa delegacia do Espírito Santo onde Godoi e Queiroga apontam Gratz como "sócio" do Super Bingão Real.
Posteriormente, o próprio Queiroga negou a sociedade em depoimento à Promotoria de Justiça, dizendo ser sócio de Gratz "somente" no Aruba Café, de Vitória. Negou que fosse sócio no bingão mas, segundo a Promotoria, reconheceu a própria assinatura no depoimento prestado à delegacia.
O principal trecho do relatório, no entanto, fala sobre os irmãos Wismar e Wisman, goianos que foram sequestrados e assassinados por envolvimento num assalto na casa de Queiroga. Um dos assassinos dos irmãos goianos foi preso em Manaus e levado para a Delegacia Especializada em Crimes Contra a Vida, em Vitória.
Segundo o relatório da promotoria, o assassino dos dois irmãos goianos "denunciou outro comparsa que estaria foragido e seria membro do Cartel de Cali e intimamente ligado aos traficantes de droga daquele país - os mesmos haviam estado no Espírito Santo, mais precisamente em Vila Velha, na casa do senhor Francisco Marcelo de Souza Queiroga, cobrando uma dívida que o mesmo teria com aquela facção marginal". "O levantamento de todos os depoimentos, que tramitam em inquéritos protegidos pelo segredo de Justiça, poderão representar provas para a CPI do Narcotráfico investigar o crime organizado no Estado", continua o relatório.
O ex-governador e deputado Max Mauro (PTB) desconfia que o crime organizado que envolveria políticos do Estado pode ser o mesmo que envia grandes carregamentos de drogas para o exterior. O Porto de Vitória, segundo delegados da Polícia Federal, seria um dos principais pontos de passagem de drogas dos países produtores, como Bolívia e Colômbia, para os países consumidores
entre eles vários países da Europa.
O relatório, segundo um parlamentar que leu toda a documentação, poderá também servir de referencial para investigar o esquema montado por bingos em todo o País, sonegando impostos, não repassando a arrecadação para as federações e ainda entregando prêmios para pessoas ligadas aos próprios donos dos bingos. Em Brasília, a PF constatou que um bingo não entrega os prêmios aos vencedores. O dono do referido bingo também tem o sobrenome Queiroga, mas ainda não foi constatado se os dois são parentes.


