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quinta-feira, 18 de novembro de 1999
Por Félix Alberto Lima (especial para a AE) 
São Luís, 18 (AE) - O deputado estadual José Gerardo de Abreu (sem partido) teve o seu mandato cassado hoje pela Assembléia Legislativa (AL) do Maranhão por quebra de decoro parlamentar. Gerardo, acusado de envolvimento com o crime organizado no Estado, não compareceu à sessão e encontra-se foragido. Até o início da noite, a Justiça Estadual não havia autorizado o pedido de prisão preventiva do deputado cassado.
O parecer de cassação apresentado pela Comissão de Ética foi aprovado às 10h45 por 40 dos 42 deputados. Não votaram Francisco Caíca (PSD), também suspeito de envolvimento em assassinatos e roubos de cargas, e o próprio José Gerardo. A população comemorou a cassação na porta da Assembléia soltando foguetes e cantando o Hino Nacional.
"Foi uma sessão histórica para o Maranhão", comemorou o deputado Manuel Ribeiro (PSD), presidente da AL, que há poucos dias ameaçou renunciar ao mandato caso Gerardo não fosse cassado. Segundo o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, deputado Jomar Fernandes (PT), os indícios da participação de Gerardo em crimes são muito fortes.
O advogado Franklin Seba fez a defesa de Gerardo em 25 minutos, mas não convenceu os deputados. "Crucificaram o meu cliente num jogo de carta marcada." Seba classificou a cassação da Assembléia de antijurídica e disse que irá recorrer da decisão em todas as instâncias. "O advogado agrediu os parlamentares durante a sessão e pouco defendeu o seu cliente", rebateu Fernandes.
O gerente de Justiça e Segurança Pública do Estado, delegado Raimundo Cutrim, diz não saber qual é o paradeiro de Gerardo. "Estamos procurando e vamos encontrá-lo." O deputado cassado estava sendo vigiado pelas Polícias Civil e Federal até o dia em que foi depor em Brasília na CPI do Narcotráfico, há duas semanas. Gerardo chegou a marcar passagem de volta a São Luís para os dias 8 e 9 de novembro, mas não embarcou. Ele teria embarcado às 21h38 do dia 10, em vôo da Vasp. "É possível que ele esteja em São Luís", suspeita Cutrim.
O deputado cassado deverá receber ordem de prisão preventiva por ser o mandante do assassinato de Carlindo Sousa Cunha, ocorrido em 1982. Pelo envolvimento na morte do delegado Stênio Mendonça, em 1987, Gerardo receberá ordem de prisão temporária.
Em 118 sessões realizadas este ano pela AL, José Gerardo faltou a 97, das quais 69 foram justificadas por atestados médicos. Gerardo é cearense e chegou ao Maranhão na década de 70. Em pouco tempo abriu uma empresa de transporte coletivo com apenas dois ônibus. Dez anos depois já era dono de 70% da frota de ônibus de São Luís. Nos 17 anos em que exerceu o mandato de deputado estadual, Gerardo apresentou 34 projetos de lei. As principais denúncias contra ele foram feitas pelo motorista e segurança Jorge Meres à CPI do Narcotráfico.


