Maceió, 18 (AE) - O deputado federal Augusto César Farias (PPB-AL) foi indiciado hoje como co-autor das mortes do seu irmão Paulo César Farias e da namorada dele Suzana Marcolino, ocorridas em 23 de junho de 1996. Segundo os delegados Antônio Carlos Lessa e Alcides Andrade, responsáveis pelas investigações do caso, o deputado foi indiciado por co-autoria por ter insistido na versão de crime passional, ter coagido testemunhas e custeado a defesa dos demais acusados. Para os delegados os motivos dos crimes foram "poder e fortuna".
Além do deputado, foram indiciados os quatro PMs que trabalhavam como segurança de PC (os cabos Reinaldo Correia de Lima Filho e Adeildo Costa dos Santos e os soldados Josemar Faustino dos Santos e José Geraldo da Silva), o casal de caseiros (Leonino Tenório de Carvalho e Marize Vieira de Carvalho), o vigia Manoel Alfredo da Silva e garçom Genival da Silva França. Todos estavam na casa de praia do empresário no dia dos crimes e foram indiciados como co-autores das mortes. Nenhum dos indiciados teve a prisão preventiva solicitada.
Segundo o secretário estadual de Segurança Pública, Edmilson Miranda, que acompanhou com o promotor Luiz Vasconcelos a apresentação do relatório final sobre as investigações, se o deputado Augusto Farias não tivesse imunidade parlamentar já estaria preso pela morte do irmão.
"Temos que acabar com os privilégios dos criminosos de anéis: crime é crime, quem comete tem que ir para cadeia", afirmou Miranda, acrescentando que "Alagoas não é mais o paraíso da impunidade". O secretário pediu que a Justiça "faça agora a sua parte".
O promotor Luiz Vasconcelos, que acompanha o caso há mais de dois anos, disse que legalmente tem 30 dias para decidir se apresenta ou não denúncia contra os indiciados. "Como esse inquérito é muito complexo e volumoso, posso precisar de mais tempo para analisar todas as peças dos autos", justificou o promotor. Eles explicou que caso concorde com o indiciamento de Augusto, como deputado tem imunidade parlamentar, quem vai decidir se irá oferecer denúncia contra ele no Superior Tribunal de Justiça é o procurador geral da República, Geraldo Brindeiro.
Depois de quatro meses e meio de investigações, os delegados Antônio Carlos Lessa e Alcides Andrade chegaram à conclusão de que PC e Suzana foram assassinados cada um com um tiro no peito. No relatório, os delegados não apontam a autoria material dos crimes e nem falam em autoria intelectual. Para eles, todos que estavam na casa na madrugada do dia 23 são suspeitos. "Todos são culpados, por participação direta ou por omissão", afirmou Andrade. No relatório, que contém 37 laudas, os dois delegados apontaram 26 indícios que compravam que PC e Suzana foram assassinados.
Os delegados disseram que encontraram "falhas gritantes" no laudo do médico legista Fortunato Badan Palhares, que defendeu a tese de crime passional: homicídio seguido de suicídio (Suzana teria matado PC e depois se suicidado). Para Andrade, o laudo de Palhares foi feito sob encomenda para justificar a tese de crime passional. O delegado não quis dizer quem teria encomendado o laudo ao legista de Campinas (SP), mas afirmou que já desconfiava dele, antes mesmo da CPI do Narcotráfico acusá-lo de vender laudos falsos para o crime organizado.
Vasconcelos também criticou o laudo de Palhares. Segundo ele
no debate entre a equipe de Palhares e a do médico legista Daniel Munhoz, uma terceira equipe de peritos chegou a conclusão de que o laudo do legista paulista foi todo centrado em exceção à regra. "Por má-fé ou negligência, o laudo de Palhares não tem sustentação científica nenhuma, serviu apenas para dar sustentação à tese de homicídio seguido de suicídio", afirmou o promotor, que recebeu hoje do juiz Alberto Jorge Correia de Lima os 15 volumes do inquérito, com 3.500 páginas, para ser analisado.
O médico legista e professor de Medicina Legal da Universidade Federal de Alagoas, coronel PM George Sanguinetti, disse que já contava com o indiciamento do deputado Augusto Farias. "Agora, espero que a Justiça aprofunde as investigações para que possamos saber se a participação do deputado aconteceu de forma solitária ou se o seu envolvimento na morte do irmão tem ligação com o crime organizado, que está sendo investigado pela CPI do narcotráfico", afirmou Sanguinetti, que foi o primeiro a discordar da versão de crime passional e a defender a tese de duplo homicídio.

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