Campinas, SP, 18 (AE) - O presidente da subseção Campinas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Aderbal da Cunha Bergo, enviou hoje ao presidente da CPI do Narcotráfico, deputado Magno Malta, ofício requisitando as provas que sustentariam a prisão provisória por 30 dias do advogado Arthur Eugênio Mathias, acusado de integrar a organização criminosa comandada pelo empresário Willian Walder Sozza. O advogado depôs à CPI na última terça-feira e deixou o plenário do fórum local algemado, direto para o quartel da Polícia Militar onde está preso.
Segundo Bergo, os documentos são necessários para que Mathias seja submetido às comissões de prerrogativas de ética e disciplinar da OAB. Ele garantiu que a medida não representa uma represália à CPI para proteger o advogado. "A OAB apóia os deputados no sentido de aprofundar as investigações a fim de extirpar da sociedade o câncer do narcotráfico", afirmou.
Bergo reconhece que não compete à OAB fazer a defesa de Mathias. Mas alega que a instituição tem a obrigação estatutária de prestar assistência aos profissionais da categoria acusados de crime no exercício da profissão. Segundo ele, a OAB de São Paulo deverá ingressar em conjunto com a OAB de Campinas com um pedido de habeas corpus em favor de Mathias.
De acordo com Bergo, essa determinação partiu do presidente da instituição em nível estadual, Rubens Aprobato Machado. A OAB de Campinas chegou a requerer o benefício da prisão domiciliar para o advogado mas o pedido foi negado pela Justiça.
O presidente da CPI reagiu com irritação ao pedido da OAB. "Causa estranheza essa atitude, já que o senhor Bergo serviu de emissário para propor um acordo em favor do acusado (Mathias)", disse. Pela proposta, segundo Malta, o advogado concordaria em revelar detalhes da organização comandada por Sozza em troca da sua liberdade. Vamos comunicar esse fato à OAB nacional", garantiu o presidente da CPI.

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