Campinas, SP, 18 (AE) - Além de policiais civis, soldados e oficiais da Polícia Militar também podem estar envolvidos com o crime organizado em Campinas. Hoje, o ex-soldado Luiz Antônio Ferraz contou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico que um sargento, um tenente e um capitão do Pelotão Rodoviário da PM ajudavam a escoltar caminhões do empresário William Sozza de Campinas para São Paulo, provavelmente com carga roubada. Ferraz contou, ainda, que chegou a trazer de Duque de Caxias (RJ) para a cidade uma carga de cocaína que estaria em um carro que teria sido comprado por um sargento no Rio de Janeiro.
Segundo Ferraz, preso em uma penitenciária da Bahia, o capitão Eliziário, que hoje estaria trabalhando no Comando do Policiamento Rodoviário, em São Paulo, dava-lhe ordens, com o tenente Botelho - que estaria servindo em Jundiaí - para que escoltasse caminhões de Sozza pelas rodovias Anhanguera e Bandeirantes, até São Paulo. Os veículos não eram parados em nenhum momento por policiais rodoviários. "Eu não ganhava nada, apenas recebia ordens deles para fazer isso", disse Ferraz.
Segundo o ex-soldado, uma vez chegou a dirigir uma carreta carregada de remédios de Campinas para Americana. De lá, o caminhão seguiu para Santa Bárbara do Oeste conduzido por outras pessoas. Numa acareação feita entre o caminhoneiro Jorge Meres, ex-integrante da quadrilha de Sozza, e o ex-militar, Meres disse que nunca ouvira falar nos dois oficiais. Mas o presidiário Gilmar Siqueira, que roubava carretas, afirmou que durante o tempo em que trabalhou para William Sozza, ouviu falar no tenente Botelho.
"O depoimento do soldado Ferraz é consistente e mostra o envolvimento também da Polícia Rodoviária neste esquema de Campinas", afirmou o relator da CPI, Moroni Torgan (PFL-CE). A comissão vai ouvir em Brasília, além dos dois oficiais, o sargento identificado como Moacir, acusado por Ferraz de ser sócio de um estacionamento no aeroporto de Viracopos e para quem trouxe um Gol zero quilômetro do Rio de Janeiro, com cocaína. "Os tabletes de cocaína estavam condicionados na porta do carro", contou Ferraz.
Condenado a cinco anos de prisão por assaltar um pedágio, Ferraz disse que está sendo ameaçado por policiais militares e por isso resolveu enviar uma carta do relator da CPI, Moroni Torgan, pedindo para depor em Campinas. Ele contou que, além de fazer escolta de caminhões de Sozza, os oficiais o obrigavam a ir aos aeroportos de Viracopos e Campo dos Amaraes, também em Campinas, buscar mercadorias. "Eram caixas de aproximadamente um metro e meio que ia buscar de viatura e depois colocava em dois carros de Sozza, que sempre ia no quartel", afirmou.
A CPI vai pedir a localização dos dois oficiais e do sargento ao Comando da PM de São Paulo e irão convocá-los para depor em Brasília. "A partir dos depoimentos, vamos decidir se haverá necessidade de quebra de sigilo bancário", disse Torgan.

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